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OLINDA 20 anos de Patrimônio Mundial
Depois de ter o posto ameaçado pela Unesco, Olinda deve festejar o 20º aniversário do título com obras e projetos ousados para o Sítio Histórico
por BRUNO ALBERTIM
Há quatro anos, Olinda centralizou atenções quando a degradação de seu patrimônio fez a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) admitir a possibilidade de suspensão do título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. Este ano – no dia 14 de dezembro – o título completa 20 anos, com a perspectiva de que finalmente sejam reformados monumentos e pontos do Sítio Histórico que fizeram a Unesco se encantar com a exuberância de uma ‘vila européia’ encravada numa paisagem tropical.
Com a decadência arquitetônica e paisagística, a cidade acabou incluindo seu nome na lista de beneficiados pelo Monumenta, um programa com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento para a recuperação de cidades históricas. Criou-se a expectativa de que um canteiro de merecidas obras tomaria conta de alguns dos lugares mais visitados de Pernambuco. A expectativa permanece. Apenas a intervenção da Rua Saldanha Marinho, uma das vistas mais belas que se tem do Alto da Sé, ao lado da Igreja da Misericórdia, está em fase de finalização. Mas a Prefeitura Municipal diz já ter dinheiro disponível para outras reformas. E até o aniversário do título essas mudanças terão saído do papel.
O Largo da Conceição e o Alto da Sé, além de outras obras, estão na lista do que deve ser concluído até o fim do ano. Mas há a articulação de projetos ousados para 2003. O principal deles é a abertura de quatro estacionamentos turísticos nos arredores da Cidade Alta, com sanitários em suas estruturas. Eles ficariam nos Milagres, na Igreja do Rosário dos Pretos, no Fortim do Queijo e no Varadouro. “Os projetos estão prontos. Vamos pleitear cerca de R$ 5 milhões junto ao Prodetur (Programa de Desenvolvimento do Turismo), do Governo Federal”, diz Sérgio Rezende, secretário municipal de Patrimônio e Cultura.
Os projetos considerados estruturadores são os do Varadouro e do Fortim do Queijo. O Largo do Varadouro deve virar um grande pátio de pedestres, com a alteração do trânsito local e a extinção das vias de tráfego que passam próximas ao mercado. “Imóveis ao lado do Canal da Malária serão desapropriados. No lugar, teremos um estacionamento turístico”, diz Rezende. A recuperação do canal também está prevista. A faixa de tráfego localizada entre o Fortim do Queijo e a praia seria extinta, para criar um pátio com estacionamento. O trânsito seria desviado para uma faixa interna, entre o forte o a Rua do Sol. “O Monumenta prevê a recuperação pontual de monumentos. Pretendemos criar obras estruturadoras que possam interligar esses pontos”, diz.
A criação do estacionamento do Fortim deverá funcionar como ponto de apoio para o Cine Olinda, uma obra que, segundo o secretário, já tem inauguração certa. Completamente abandonada há mais de 40 anos, a sala de projeção teve a revitalização garantida este ano, quando o deputado Pedro Eugênio (PT) conseguiu aprovar uma verba no valor de R$ 400 mil no Orçamento Geral da União. O cinema abrigará também eventos teatrais, mostras e convenções, com capacidade para 600 pessoas. “O cine estará aberto antes do aniversário do título”, assegura. Ainda não foi definido o responsável pela programação da sala.
“Queremos estimular os visitantes a caminharem pela cidade e passarem mais tempo em Olinda”, diz o secretário. Atualmente, a média de permanência dos turistas no Sítio Histórico é de apenas 50 minutos. O Mercado Eufrásio Barbosa, cujo pavilhão foi reformado no ano passado por meio de um convênio de R$ 1,5 milhão com a Fundação Joaquim Nabuco, tem agora um projeto que prevê um novo pavilhão de eventos em frente ao Teatro Fernando Santa Cruz, além da reforma dos boxes e da criação de um restaurante–escola e de uma praça gastronômica.
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