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CRUZEIRO
Buon giorno na terra do oxente

Depois do embarque no Nordeste, passageiros do cruzeiro italiano Costa Tropicale fazem escalas em cidades como Salvador, rumo ao Sul do País

por GUSTAVO CHACRA
Agência Folha

Na cabine do navio, antes de dormir, o passageiro do Costa Tropicale – que fez sua estréia em águas brasileiras neste verão – começa a planejar os passeios que fará nos portos onde a embarcação irá parar durante a viagem. Ou então pensa no que fazer a bordo, enquanto não chega a hora de desembarcar em alguma cidade do Nordeste – a região mais visitada pelos navios de cruzeiro que percorrem a costa brasileira nos meses de verão.

O Costa Tropicale, de 36,7 mil toneladas, tem capacidade para transportar 1.022 passageiros e 550 tripulantes. Foi remodelado e reinaugurado no dia 30 de junho do ano passado ao custo de US$ 25 milhões. Além do Costa Tropicale, outros seis navios fazem suas viagens na costa do País: Costa Classica, Costa Allegra, Splendour of the Seas, Funchal, M/N Rhapsody e Princess Danae. Em roteiros com número de dias variados, as embarcações percorrem os portos do Nordeste, do Sudeste e de países vizinhos, como Argentina e Uruguai, até o início de abril.

As atividades começam cedo no navio. E não há como dormir até tarde. Seja pela luz do amanhecer que penetra na cabine onde a cortina da janela foi deixada aberta, seja por causa do brasileiro Naim Ayob, cuja voz invade o interior das cabines todas as manhãs.

BUON GIORNO – “Bom dia!”, grita o brasileiro de origem síria que trabalha há mais de dez anos na área de animação dos navios da Costa Cruzeiros, proprietária do Costa Tropicale. “Estamos navegando na costa da Bahia. O tempo hoje deve ser de sol, com a temperatura chegando a 32 graus. A profundidade agora é de 314 metros e ao meio-dia deveremos chegar a Salvador”, finaliza. Em seguida, uma italiana dá o mesmo buon giorno, buenos dias e good morning para os passageiros.

O buon giorno traz ares de outro país. Afinal é italiana a origem da Costa Cruzeiros, empresa que há mais de quatro décadas opera na costa brasileira, desde a época dos românticos Eugênio e Enrico C. Apesar do inconveniente de praticamente obrigar o passageiro a levantar da cama, o bom dia de Ayob é uma sensação única, porque o hóspede, antes mesmo de colocar os pés no chão, sente que está em alto-mar.

NA MESA – Como o cruzeiro de estréia do Costa Tropicale na costa brasileira, realizado em dezembro (do qual a reportagem participou, embarcando em Recife), havia sido iniciado na Europa, a primeira noite do comandante no País foi restrita a poucos convidados.

Em seguida, foi oferecido um jantar no Club Bahia, restaurante brasileiro instalado a bordo. Os pratos variavam entre sabores de Salvador e de Gênova. Para começar, a sugestão era presunto de Parma com queijo de cabra. Em seguida, penne com molho ao pesto. Havia moqueca, mas bem amena, talvez para não assustar os estrangeiros. De sobremesa, um “gelato” italiano. Em geral, a refeição do Club Bahia é cobrada à parte, e custa US$ 15.

Terminado o jantar, começam os shows a bordo. O espetáculo do dia pode ser o de uma cantora italiana ou de baianas. Vale a pena, mas, se o passageiro não gostar, basta sair e ir ao cassino ou fazer compras nas lojas duty free. Ambos funcionam apenas quando o navio está em águas internacionais.

Também há alguns bares no navio, onde, dizem os monitores, os jovens começam a se esquentar para ir à boate de madrugada. O navio serve pelo menos quatro refeições por dia, incluindo a ceia, servida no bufê da piscina. Após praticamente ignorá-la (a não ser que seja possível comer mais), é hora de ir até a popa e observar o céu estrelado. É uma cena mágica. E, quando o sono chega, o passageiro volta à cabine para encontrar novos panfletos com a programação do dia seguinte.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.02.2002
Quinta-feira