A vista para a mata atlântica do Horto Del Rey será aberta. E um projeto polêmico prevê um cinturão de grades envolvendo a Praça da Abolição e o Sítio de Seu Reis
Um complexo que será criado entre a Praça da Abolição, também conhecida como Praça da Preguiça, e o Sítio de Seu Reis vai contar com pistas de cooper e será cercado por grades até o fim do ano. Estimada em R$ 500 mil, essa é uma das obras contempladas com os recursos do projeto Monumenta. Em julho, a obra entra em licitação. “Por causa da lei eleitoral, o prazo para contratação de empresas é até o dia seis de julho”, explica o arquiteto André Pina, coordenador-adjunto do projeto Monumenta em Olinda.
Um lago artificial que existia até meados da segunda metade do século passado na Praça da Preguiça também deve ser recuperado. “As grades são a única forma de garantir a preservação da praça e evitar ambulantes”, justifica Pina. A idéia de cercar esse trecho do Sítio Histórico não é bem vista por gente que acompanha Olinda desde antes de a Unesco conceder o título.
“Paisagisticamente é um absurdo, um destrato público. Perigos muito maiores rondam Paris ou Londres. Imaginem se a Torre Eiffel, por exemplo, fosse cercada. Com o tempo, a grade serve de suporte para barracas. O mais adequado é a presença de guardas municipais preparados para estimular uma consciência de preservação”, diz o arquiteto Antenor Vieira, ex-secretário de Patrimônio do município, titular da cadeira de Intervenções em Sítios Históricos, do Departamento de Arquitetura da Universidade Federal de Pernambuco e responsável pela concepção da praça na década de 80.
André Pina justifica que um dos objetivos de gradear a praça é evitar a realização de festividades e do Carnaval na praça. “A lei de preservação dos sítios históricos proíbe música ao vivo no local”, justifica. Mas o autor do projeto da praça discorda. “A praça foi planejada como uma área para eventos culturais, tem espaço para as pessoas dançarem. O bancos da praça, na verdade, são as muretas em torno do Morro do Carmo. Isso porque ela foi concebida para ser livre”, diz Antenor Vieira. O projeto sobre a Praça da Abolição deve estar concluído no dia 31 de março. Ainda não foi elaborado o desenho da grade prevista para o local.
Além da Rua Saldanha Marinho, em fase de conclusão, e da Praça do Carmo, mais cinco intervenções serão feitas com recursos do Monumenta até o aniversário do título. Duas obras já foram licitadas. A primeira prevê a construção de um pátio com estacionamento para 38 vagas, com ajardinamento e balaustrada no Largo da Conceição, em frente ao convento de mesmo nome, na Sé. Ao custo de R$ 62,5 mil, também será reformado o Largo do Cruzeiro de São Francisco.
Está marcada para hoje a licitação dos outros três projetos. A antiga casa episcopal de 1.745, onde funciona o Museu Regional de Olinda, é um deles. Deve ganhar uma copa e sanitários. No Alto da Sé, o Observatório de Olinda também será recuperado. O projeto prevê a criação de um centro turístico e a implantação de um telescópio para o ensino de astronomia. O Beco Bajado, que liga a Rua do Amparo à Ladeira da Misericórdia, ganhará reposição de pedras, iluminação e ajardinamento. Outras obras de maior fôlego, como o embutimento da fiação do Sítio Histórico e a reforma da Igreja do Carmo, só em 2003.
Notícia que deve agradar sobretudo aos turistas é que finalmente as barracas de artesanato do Alto da Sé serão deslocadas, permitindo a volta do mirante para o Horto Del Rey, uma área com 15 hectares de Mata Atlântica que foi o primeiro jardim botânico do Brasil colonial. “Um terreno na Ladeira da Sé já foi desapropriado para abrigar um centro de artesanato com 17 lojas, para onde os artesãos serão transferidos”, diz Sérgio Rezende. (B.A.)