Olinda já foi considerada uma cidade bebedouro. Até meados da década de 80, reinava a piada de que se “trabalhava no Recife e se bebia na cidade patrimônio”. Esse panorama deve ser enterrado por completo. Depois de ter os quatro bares fechados no cruzamento dos Quatro Cantos, a cidade deve perder o restante dos bares localizados no Sítio Histórico. “Vamos acionar a Justiça para fechar estabelecimentos que vendam exclusivamente bebidas alcoólicas. A lei de proteção dos Sítios Históricos proíbe a existência de bares nos locais de preservação”, diz Alfredo Carvalho, coordenador da unidade de execução de projetos do Monumenta em Olinda.
Mesas nas calçadas estão proibidas. Carvalho diz que existem cerca de oito processos judiciais para o fechamento de bares, alguns deles no Largo do Amparo. “O Sítio Histórico pode ter restaurantes que vendam bebidas, associadas ao comércio de comidas. Mas nada que provoque aglomerações nas ruas”, diz. “A idéia, no geral, é que se acabe com pólos e festas no Sítio Histórico. Isso deprecia o patrimônio. A cidade não tem estrutura”, complementa André Pina.
A idéia, como era de se esperar, repercutiu mal entre os proprietários e administradores de bares. “Não concordo, porque Olinda tem poucas opções de diversão e muita gente se sustenta com esse tipo de comércio”, diz Cícero Peneira, responsável pelo bar que funciona na sede da Pitombeira dos Quatro Cantos. Ela acredita que não se enquadra na ‘malha fina’ que fiscaliza os bares da cidade. O estabelecimento também vende comidas regionais, não apenas bebidas e é considerado de utilidade pública por abrigar um dos blocos mais tradicionais do Carnaval da cidade.
Entre os projetos municipais também está a organização do comércio do Alto da Sé. As tradicionais tapioqueiras seriam deslocadas do largo em frente à Igreja de São Salvador do Mundo para casas localizadas na Rua Bispo Coutinho de Baixo, uma via secundária onde funciona a sede da Escola de Samba Preto Velho. “As casas já estão sendo negociadas. Há uma vista belíssima dali”, diz Carvalho.
Como suas colegas, Luiza Rosa Nascimento, 76 anos, a tapioqueira mais antiga em atividade no Alto da Sé, se diz contrária às mudanças. “Cheguei há 40 anos aqui. Já fui convidada para vender minhas tapiocas até no Rio Grande do Sul e, agora, a prefeitura quer nos esconder. Não é justo”, reclama.(B.A.)