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NOVIDADE
Turismo para observação de pássaros

Acordar de madrugada, entrar em matas fechadas e passar o dia à espera de aves. Com a intenção única de observar os vôos, ouvir os cantos, admirar as cores e registrar detalhes das múltiplas espécies de aves brasileiras. Para alguns, pode parecer perda de tempo, mas a observação de aves (ou Birdwatch, como é chamada nos Estados Unidos) é uma atividade turística que conquista cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo.

Normalmente, são estrangeiros os turistas interessados na observação de aves no Brasil. Para o biólogo Gilmar Farias, assessor científico da associação Observadores de Aves de Pernambuco (OAP), isso se deve a uma questão cultural. “No Brasil, o principal hábito de lazer é a ‘pelada’. Já em países como Japão, Estados Unidos e Inglaterra, a observação de aves é hábito de famílias inteiras”, compara.

“Há pessoas que viajam o mundo para fazer ‘avistagens’(como é tecnicamente conhecida a observação de pássaros)”, afirma Farias. Não é preciso ser especialista para aderir à prática. Iniciantes também podem participar.

O biólogo lembra que é importante estar vestido discretamente, de preferência com uma roupa camuflada, para não assustar os animais. Também é indispensável o uso de um binóculo e de uma caderneta, para anotar os detalhes. Para os mais sofisticados, máquina fotográfica, filmadora e luneta ajudam.

De acordo Serviço de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos, 77 milhões de norte-americanos participaram de atividades relacionadas com a vida silvestre em 1977. Desses, cerca de 23,7 milhões viajaram com a intenção de observar, alimentar ou fotografar animais silvestres; e cerca de 18 milhões tiveram interesse em aves.

Entre 1990 e 1997, a Associação Americana de Observadores de Aves(ABA) teve um aumento no número de sócios de seis mil para 20 mil. O mercado é promissor. Cerca de 13 mil sócios da ABA realizam mais de 10 viagens por ano para observar aves, podendo gastar mais de três mil dólares.

O Brasil tem 1.678 das 9.951 aves registradas em todo o mundo. Está em terceiro lugar em diversidade, atrás da Colômbia e do Peru. Mesmo assim, apenas a Amazônia e o Pantanal são divulgados como destinos para observação. No Recife, a Mangaio Ateliê de Turismo começa a dar os primeiros passos nesse sentido. Em parceria com a OAP, a agência está montando um roteiro de cinco dias em Bonito (PE) e no Vale do Catimbau (PE), para observação de aves. Em Pernambuco, existem locais protegidos por lei adequados para a atividade. São reservas ecológicas e biológicas. Além disso, Pernambuco é um dos Estados do Nordeste que já tem uma lista das aves publicada, disponível ao público em geral. Aves de Pernambuco e seus nomes populares é uma compilação com 498 espécies que também traz os nomes científicos das aves, editada pela OAP. (J.N.).

Serviço

Associação OAP - 3436.0709
www.hotlink.com.br/users/oapaves
Mangaio Ateliê de Turismo - 3421.4465

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Jornal do Commercio
Recife - 07.02.2002
Quinta-feira