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JAZZ II
Trompetista minimiza trajetória musical
A entrada ne Chet Baker na banda de Charlie Parker, em 1952, é contada pelo trompetista com a mesma despretensão como ele fala de suas – várias – namoradas. A única frase que denota sua admiração pelo maior saxofonista do jazz é esta: “Oh, Bird, jamais um momento monótono!” A vida de Baker a partir desse ano teve poucos momentos tediosos. Logo em seguida ele fazia parte do grupo de Gerry Mulligan, gravava os primeiros discos e ganhava as primeiras menções nas revistas especializadas. Nesse ano foi considerado o melhor trompetista pela Down Beat e pela Metronome. Na mesma época, estreava sua folha corrida, ao ser preso por posse de drogas. Fato, esse sim, que de tão corriqueiro, torna-se tedioso.
O trompetista minimizar passagens importantes de sua trajetória musical. Procedeu assim quando recorda sua fase com Gerry Mulligan (não cita os discos gravados com ele) e com o quinteto que levou a Paris, em 1956, um dos melhores que reuniu, e que gravou alguns discos pela Blue Star Records, de Nicole Barclay. A carreira do quinteto foi interrompida abruptamente com a morte, por overdose, do pianista Dick Twardizck.
Impressiona o tamanho da discografia de Chet Baker tendo em vista a não menor quantidade de vezes em que esteve por trás das grades devido às drogas. No final dos anos 50, eram raros os meses em que não estava de alguam forma encrencado com a lei: “Quando o grupo se apresentou no Round Lounge, em Detroit, conheci uma mulher chamada Halema. Nos casamos uns seis meses depois. Fui ficando cada vez mais fissurado, e acabei, finalmente, viciado”(pág. 80); “Fui detido novamente quando dirigia de Chicago para Milwaukee... (pág. 87); De volta a Nova Iorque, fui apanhado no Harlem. De novo fui solto com fiança” (idem); “... injetávamos a droga e ficávamos doidões. Eu geralmente chapava, e acabava acordando com baratas rastejando por cima de mim” (pág. 89).
“Barcelona estava uma beleza em dezembro de 1963”, assim começa o primeiro parágrafo do post scriptum do livro. Depois de uma série de turnês e prisões por quase toda a Europa, Chet Baker foi curtir o sol espanhol. Tocava num clube de jazz, em cujo andar de cima o bailarino Antonio Gades apresentava-se. Chet Baker não fez amizades com Gades, preferiu a de um médico cirgurgião: “Cujos recursos e perícia atraíam pacientes do mundo todo”. Logo o trompetista passou a ser municiado de receitas para adquirir o medicamento Palfium, e “Tudo recomeçou outra vez”.
Preço médio: R$ 17,00
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Jornal do Commercio
Recife - 15.01.2002 Terça-feira
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