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QUEIXA
Família denuncia retirada de córneas

Os familiares do ambulante Fábio Joaquim de Arruda, 20 anos, assassinado na última quinta-feira, foram ontem pela manhã à delegacia de Santo Amaro fazer uma denúncia de retirada ilegal de órgãos e solicitar a exumação do cadáver. Os pais de Fábio garantem que os olhos dele foram retirados sem autorização da família, no Instituto de Medicina Legal (IML), onde o corpo foi necropsiado na sexta-feira da semana passada. Na carteira de identidade da vítima, no entanto, constava o carimbo de não-doador de órgãos.

O ambulante foi morto com dois tiros na cabeça, por volta das 20h da quinta-feira, na Avenida Abdias de Carvalho, no Bongi. Segundo o primo de Fábio, Valdécio Ramos Costa, 25, o corpo do rapaz chegou intacto ao IML, na madrugada da sexta-feira. Parentes e amigos da vítima denunciaram que foram proibidos de ver ao corpo. De acordo o pai da vítima, o vigilante José Joaquim de Arruda, 49, funcionários do IML não permitiram fizesse o reconhecimento do cadáver do filho. “Disseram que não precisava”, afirmou.

De acordo com ele, só à tarde, quando o corpo se encontrava no caixão, foi verificado que estava sem os olhos. Mesmo assim, o sepultamento aconteceu no final da tarde da sexta-feira, no cemitério de Santo Amaro. A família desconfia, ainda, que outros órgãos tenham sido retirados sem autorização.

Conforme a mãe do ambulante, Maria de Lourdes de Arruda, 55, o filho manifestou, em vida, o desejo de não ser doador. “Ele disse que não dava os órgãos dele a ninguém”, comentou.

O diretor de Polícia Científica, Paulo Tadeu Vasconcelos, não acredita que os olhos do rapaz tenham sido retirados. “Até que se prove o contrário, para mim, a informação é improcedente”, comentou. Segundo o delegado adjunto de Santo Amaro, Fernando Machado, as testemunhas do fato serão ouvidas e o caso será analisado. “Poderemos pedir a exumação do cadáver”, revelou.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.01.2002
Terça-feira