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CRISE
Governo argentino prevê recessão com inflação

Orçamento será enviado esta semana ao Congresso. A previsão, considerada otimista pelos próprios técnicos do Governo, é de queda de 2% no Produto Interno Bruto e inflação entre 6% e 8%

BUENOS AIRES – O Ministério da Economia da Argentina prevê para este ano queda de 2% do Produto Interno Bruto (cerca de 5,5 bilhões de pesos) e a volta da inflação, que ficaria entre entre 6% e 8%. Ou seja, recessão com inflação.

Esses números fazem parte da proposta de orçamento que o Governo está elaborando. Mas os próprios técnicos do ministério admitem que, na atual situação do país, os percentuais são otimistas e ainda podem ser modificados, de acordo com a evolução dos mercados. O secretário-geral da Presidência, Aníbal Fernández, disse que o texto será apresentado nesta semana ao Congresso.

O projeto prevê um equilíbrio entre receitas e despesas, em um patamar de entre 37 bilhões e 38 bilhões de pesos. Nas estimativas de receita ficaria incluída uma emissão monetária de 3 bilhões de pesos e seria admitida uma queda na arrecadação tributária de cerca de 15% em relação a 2001. A estimativa é que o orçamento seja aprovado até o final do mês.

No segundo dia de dólar flutuante, houve filas nas casas de câmbio, mas as cotações não variaram muito em relação à sexta-feira. A moeda norte-americana foi cotada entre 1,70 e 1,75 peso. A cotação oficial é de 1,40.

A Bolsa de Valores de Buenos Aires não abriu novamente ontem, pelo sexto dia útil. “É muito provável que, quando abrirmos, as cotações caiam, disse Federico Vieytes”, da agência de bolsa Puente Hermanos.

UNIÃO NACIONAL – O presidente argentino, Eduardo Duhalde, resolveu ir à televisão para convocar um Governo de união nacional e social.

Mas as boas intenções de Duhalde podem entrar em choque com a falta de paciência da população, que espera o anúncio da flexibilização do curralzinho (o limite de saques das contas bancárias). A convocação estava prevista para ser feita às 21h (22h de Brasília). Duhalde recebeu ontem representantes da Frente Nacional contra a Pobreza (Frenapo), que foi pedir detalhes sobre a proposta de criação de um seguro-desemprego.

Duhalde aproveitou o encontro para pedir apoio da Frenapo para a sua convocação. A União Cívica Radical já se declarou favorável à convocação de Duhalde.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.01.2002
Terça-feira