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CRISE II
Crise argentina vai adiar a redução dos juros brasileiros

JAMILDO MELO

O impacto da crise argentina sobre o Brasil deve ser maior do que se imaginava. Além dos prejuízos para as exportações, os bancos já apostam que os respingos da crise deverão adiar a queda dos juros básicos no Brasil. Ou seja: o Banco Central brasileiro será obrigado a manter os juros em patamares elevados para que o Brasil não seja contaminado pela crise do país vizinho. Anteriormente, havia a expectativa de redução dos juros pelo BC a partir deste mês.

“O Brasil vai receber alguns respingos da crise argentina. Muito provavelmente a crise argentina ajudará a postergar a retomada da trajetória de queda do juro básico, em 19% ao ano desde julho de 2001”, prevê o economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate.

O economista cita ainda que a alta do dólar, ao redor de 5% nos primeiros dias de janeiro, também deve contribuir para levar o BC a adotar uma postura mais conservadora do que se esperava. “A desvalorização de quase 5% do real no início do ano justifica-se pela crise argentina. Esperamos, porém, que não suscite maiores temores nos agentes econômicos, que poderiam redundar em aumento da demanda por dólares a título de proteção (hedge)”, diz o economista.

Na avaliação do executivo, outros dois motivos levam a crer que diminuiu bastante a probabilidade de os juros caírem já em janeiro. Um deles é a inflação e outro, o nível de atividade econômica.

No caso da inflação, a primeira prévia do IGP-M de janeiro ficou em 0,47%, superando em muito as expectativas médias do mercado (ao redor de 0,01%). O IPCA em dezembro ficou em 0,65% (7,67% no ano), também acima da expectativa de 0,03% para o período. A produção industrial de novembro, com crescimento de 1,4% frente a outubro, também ajuda a reduzir a pressão sobre os juros.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.01.2002
Terça-feira