BRASÍLIA – O deputado Aldo Rebello (PCdoB-SP) admitiu ontem que a Câmara dos Deputados pode reabrir as investigações do Caso Ronaldinho. O assunto fez parte da CPI da Nike, que apurou irregularidades no futebol brasileiro. Como a CPI já foi encerrada, Rebello disse que o assunto pode ser retomado depois da denúncia feita domingo passado pelo jornal Lance!, segundo o qual o jogador sofreu uma série de infiltrações de xilocaína no joelho antes da partida final da Copa do Mundo de 1998.
Segundo o deputado, tanto a Comissão de Desportos quanto a Comissão de Saúde podem chamar testemunhas para depor averiguando a possibilidade de ter existido perjúrio nos depoimentos do médicos Lídio Toledo e Joaquim da Mata na CPI da Nike.
Durante a investigação, os médicos da seleção brasileira na Copa de 98, afirmaram que as convulsões sofridas por Ronaldinho antes da final contra a França tiveram um fundo nervoso.
“A possibilidade de ter existido essa infiltração existe. Precisamos encontrar os depoimentos das testemunhas que comprovem essa hipótese”, declarou Rebello.
O Conselho Regional de Medicina do Rio também admitiu abrir nova sindicância sobre o episódio da França.
Os médicos da seleção na Copa do Mundo de 1998, Lídio Toledo e Joaquim da Matta, negam que Ronaldinho tenha tomado infiltrações durante a competição. Eles afirmam que é falsa a informação de que uma injeção de xilocaína com cortisona causou as convulsões sofridas pelo jogador no dia da final.
“Não há a menor possibilidade de a convulsão ter sido causada por infiltração”, rechaçou Lídio. Segundo ele, não foi aplicada nenhuma injeção no joelho do jogador durante a Copa. Da Matta acrescentou que, se tivesse sido aplicado xilocaína em Ronaldinho, isso teria de ser informado à Fifa, pois a substância pode ser considerada doping.
“É só ver a ficha do jogo, em que eu não declarei utilização de xilocaína em nenhum jogador.”