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O PREÇO DA TRAIÇÃO II
Cada um tem uma forma de conviver

Psicoterapeutas dizem que a traição eventual não é motivo para o fim do casamento

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A infidelidade conjugal e a proposta de indenização ao cônjuge traído são vistas de maneiras diferentes por gente famosa e terapeutas de casais. O ator Victor Fasano, o Tavinho, da novela O Clone, da Rede Globo, cujo personagem trai por auto-afirmação, apesar de amar a esposa, acha que esse não é o caso típico.

“Acredito que a maioria dos homens trai porque não ama mais. No caso do Tavinho, ele está na crise dos 40, quer provar que ainda é o melhor, a mulher vive enchendo a bola dele e ele vai transar com outras para provar que é mesmo isso tudo. Infidelidade é trair o amor, o respeito, a união e a cumplicidade. Entendo a atração por outra pessoa que seja passageira e não interfere no relacionamento.”

NAMORO VIRTUAL – A novela O Clone tem vários personagens envolvidos em traição conjugal. A atriz Cissa Guimarães, que faz a Clarice e sofre com a possibilidade de infidelidade por parte do marido, discorda da indenização por danos morais. “O mais importante é indenizar o respeito, o afeto, o amor e o sofrimento do cônjuge traído. O dinheiro não vai sanar essa dor. Infidelidade é trair seus sentimentos. Não importam os meios, pessoalmente ou via Internet.

O ator Roberto Bonfim, o Edevaldo de O Clone, acha que um envolvimento ocasional não é traição. “Traição é ter um caso permanente. É viver de mentira. E se a relação acabou, não há motivo para pedir indenização por danos morais.”

Já o ator Marcos Pasquim, que faz o Dom Pedro I, na minissérie “O quinto dos infernos”, é a favor. “Vale a pena cobrar a indenização do cônjuge que trai. Já o relacionamento via Internet não caracteriza infidelidade porque não há contato físico.”

A atriz Betty Lago, que faz a Carlota Joaquina, na mesma minissérie, diz que se a lei for aprovada não se aplicará a todos os casos. “Essa indenização beneficiará apenas alguns casais.”

A estilista Sheila de Paola não está nem um pouco preocupada com a nova lei. Ela sempre soube do comportamento infiel do marido. “Tive que aprender a lidar com isso e trabalhei para aceitá-lo. Sempre deixei meu marido transar uma ou duas vezes com uma mesma mulher. O problema é a terceira vez. Já sei que vira um caso e não deixo. Desço o barraco e compro logo uma briga. Mas acabar uma relação por causa do meu ego, de ter sido traída com uma pessoa que não significa nada para ele, nem pensar. Seria o mesmo que embrulhá-lo num papel de presente e dar para outra mulher”, analisa.

A psicoterapeuta de casal Hélia Gôuvea diz que infidelidade é ter outra relação além daquela com a qual se assumiu um compromisso. “Desejar outra pessoa e ter um relacionamento virtual, pela Internet, é uma forma de traição, mesmo que fique restrito só à fantasia. Claro que as conseqüências são muito menores, mas, emocionalmente, para a pessoa se sentir traída, não é preciso contato físico.”

Ela afirma que cada pessoa tem a sua razão para trair. Há aquele homem que se acha o Dom Juan, há pessoas com medo de criar um vínculo e sofrer, os casais jovens que passam por um desgaste natural da relação. Em alguns casos, os sinais são bem claros, em outros não. Mas, com a descoberta da traição, é possível salvar um casamento, desde que haja interesse do casal.

“A pessoa traída poderá ficar muito magoada. Mas, passado um primeiro momento, os dois poderão perceber que são os responsáveis pela traição. Não que possamos justificar a infidelidade. Mas o casal poderá descobrir por que errou e como mudar. Isso vale para aquele que trai e para aquele que é traído”, acrescenta.

O psicoterapeuta Cesar Vasconcellos de Souza concorda. “Um caso extraconjugal não é motivo suficiente para acabar uma relação. Se o casal analisar o que motivou a infidelidade poderá consertar o que está faltando.”

Colaborou Carolina Brígido

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Jornal do Commercio
Recife - 13.01.2002
Domingo