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EDUCAÇÃO II
Método Waldorf quebra regras tradicionais

Há dois anos, surgia a primeira (e ainda única) escola Waldorf do Recife. Localizada no bairro de Casa Amarela, oferece educação infantil para crianças de dois a seis anos de idade. A pedagogia tem base nos fundamentos da Antroposofia, que vê o homem como um todo, nos níveis físico, psíquico e espiritual. Apesar de ser novidade em Pernambuco, já existem cerca de 700 instituições de ensino e de formação de professores em 56 países.

A pedagogia Waldorf surgiu na Segunda Guerra Mundial, a partir da idéia de um empresário alemão, Emil Molt. Preocupado com a situação do mundo, ele contratou o fundador do movimento antroposófico, Rudolf Steiner, para construir uma escola para os filhos de seus funcionários. Em 1919 surgiu a primeira escola Waldorf, com 256 alunos. Desde o início, o método destacou-se pelos ideais diferenciados que até hoje geram polêmica, por serem vistos por alguns como muito radicais. Em 2001, uma pesquisa feita por uma revista de circulação nacional apontou a escola Waldorf de São Paulo como a 15ª entre as 50 melhores da cidade.

Cada escola se adapta à cultura e ao currículo da região, mas todas têm como objetivo o desenvolvimento saudável do ser humano, estimulando o aluno a conhecer a si mesmo, sempre com a participação efetiva dos pais. Nos primeiros anos, a preocupação maior é com o desenvolvimento do corpo e dos sentidos da criança.

Waldorf prega que a elas não devem ser estimuladas precocemente para aprender letras e números. Esse, certamente, é o aspecto mais polêmico. Tudo deve acontecer dentro do ritmo individual, por meio de brincadeiras, contos de fadas e trabalhos de arte. “Na prática, a idéia é proporcionar um ambiente aconchegante, no qual a escola seja uma extensão da própria casa e a professora ocupe a função de ‘mãe’ de todos”, explica a professora Inocência Barbosa. O lugar remete à natureza, com árvores, areia e uma horta. Para brincar, são utilizados materiais exclusivamente naturais, como algodão, lã, sementes, conchas, pedaços de madeira e, para modelar, massa de cera de abelha. A escola tem dez alunos e, mesmo com idades diferentes, todos ficam na mesma sala. Não existe divisão por séries como nas escolas tradicionais. No máximo, dependendo do número de alunos, separam-se os de dois e três anos em uma turma, e os de quatro, cinco e seis em outra.

A estrutura administrativa também difere da maioria. A escola é gerida e mantida por uma associação de pais, professores e colaboradores. De acordo com Maria Maciel, membro da associação, não há farda, para que se preserve a individualidade dos alunos. A ausência da tão temida reprovação também chama a atenção. “A mesma professora também acompanha a mesma turma por anos. Conhecendo de perto a situação de cada aluno, ela pode ir compensando as deficiências individuais sem precisar reprovar automaticamente”, explica. Para a anestesiologista Ana Jaqueline de Oliveira, mãe de Luigi, 2, a decisão de colocar o filho na escola ocorreu por que, para ela, o principal é formar um ser social. “A escola ajuda Luigi a desenvolver o lado criativo e a ser criança sem cobranças, no momento certo”, diz.

Serviço – Escola Waldorf: 3441.0703

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Jornal do Commercio
Recife - 13.01.2002
Domingo