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SEXUALIDADE
Orgasmo feminino ganha novos aliados

Chegam ao Brasil géis e cremes que prometem revolucionar o prazer das mulheres: eles aumentam a sensibilidade na região genital e garantem mais orgasmos. Os preços são módicos: variam de R$ 10 a R$ 20

ANTÔNIO MARINHO
Agência Globo

A mais recente descoberta da indústria do orgasmo promete revolucionar o prazer feminino: é a nova geração de géis e cremes que aumentam a sensibilidade na região genital. Os produtos chegam ao mercado brasileiro vendendo o sonho do orgasmo múltiplo. Os géis são aplicados na região em torno do clitóris e na vagina 30 minutos antes da relação sexual e seu efeito dura até duas horas após a aplicação. As marcas mais procuradas nas lojas especializadas são Hortência, Cina, American Dreams e Vigel, mas os produtos são oferecidos também em sites, acompanhados de depoimentos de noites excitantes. Mulheres que se declaram usuárias dos géis relatam que eles aumentam não só a sensação de prazer como também o desejo sexual. Os sites explicam até como aplicar os géis e os cremes. Os preços variam de R$ 10 a R$ 20 e cada frasco permite até 30 aplicações. E os fabricantes garantem que esses produtos podem ser usados de forma repetida, sem riscos para a saúde.

Diante de tanta promessa de felicidade, porém, fica a pergunta que não quer calar: afinal, esses produtos funcionam? A contar pelo que dizem os médicos, sim. Mas só quando o casal está apaixonado, com um envolvimento emocional forte. Gel sozinho não faz milagre. E, além disso, é preciso saber escolher o produto mais indicado para cada mulher. É o que diz a ginecologista e obstetra Eliane Barros Alves, com mestrado em sexologia. “ Esses produtos só funcionam quando há desejo sexual. Eles servem como um estímulo a mais na relação sexual. Se o casal estiver enfrentando uma crise amorosa, com baixa da libido, os cremes fazem efeito”, diz.

Os produtos são vendidos sem receita médica, mas os especialistas insistem em recomendar a visita ao médico antes de escolher que creme ou gel usar.

Se o produto contém na sua fórmula mentol e o aminoácido L-arginina, seu efeito é o de aumentar a circulação sanguínea e produzir a sensação de aquecimento na região genital. O resultado é o aumento da sensibilidade e do prazer, advindos da fricção do ato sexual. Há também cremes e géis que trazem no rótulo a palavra ‘adstringente’. Nesse caso, são feitos à base de substâncias que provocam o estreitamento do canal vaginal e levam a um aumento da sensibilidade na penetração.

“Os cremes adstringentes têm contra-indicações e seu uso deve ser precedido de uma avaliação médica. Eles causam descamação da mucosa vaginal e dão origem a uma pequena inflamação no local. Mas a repetição do uso pode ser perigosa”,, alerta o médico Alfredo Romero, diretor do Instituto Brasileiro para Saúde Sexual (Ibrasexo).

Há transtornos femininos que tornam desaconselhável o uso de cremes, como é o caso do vaginismo (contração involuntária da pelve durante o ato sexual, que impede a penetração).

PARA ELES –Para os homens, há opções de cremes para retardar a ejaculação e prolongar a ereção. Mas o urologista Aday Coutinho afirma que eles não trazem bons resultados. “Os homens que usaram esse tipo de produto não relataram boa experiência. Retardar a ejaculação é algo que se aprende com exercícios. Esses cremes e géis contêm o anestésico xilocaína e há casos de pacientes que se queixaram de ereção de má qualidade “, relata.

Para o psicólogo e sexólogo Arnaldo Risman, a principal queixa das pessoas com problemas de relacionamento sexual diz respeito ao aspecto afetivo da relação amorosa. “Nenhum creme ou gel resolve falta de orgasmo. De que adianta aplicar um produto para estimular o orgasmo se muitos casais não conseguem sequer se relacionar bem sexualmente?”, questiona Risman.

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Jornal do Commercio
Recife - 13.01.2002
Domingo