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PARTIDOS II
Maciel, candidato, fica longe do STF

BRASÍLIA – O presidente Fernando Henrique Cardoso deve indicar o advogado-geral da União, Gilmar Mendes, para o Supremo Tribunal Federal (STF), no lugar do ministro Néri da Silveira, que se aposenta em abril, ao completar 70 anos. Mendes ganhou a confiança do presidente após obter várias vitórias na Justiça para o Governo, entre elas as que garantiram o programa de racionamento de energia e a retomada de privatizações paralisadas por liminares.

O caminho para que Gilmar realize o sonho de chegar ao Supremo foi aberto com a decisão do vice-presidente, Marco Maciel (PFL), de candidatar-se por Pernambuco às eleições deste ano, provavelmente ao Senado. Até o fim do primeiro semestre de 2001, dava-se como mais provável no Planalto que a cadeira do STF acabasse sendo ocupada pelo vice-presidente.

Maciel descartou sua indicação em agosto, em entrevista no Recife, após participar de um encontro nacional do PFL sobre educação. Ele disse, na ocasião, que iria disputar as eleições de outubro, descartando também a hipótese de ocupar o Governo por nove meses, no caso de o presidente Fernando Henrique (PSDB) decidisse se afastar para disputar mandato de senador.

A decisão de Maciel foi anunciada num momento que o ex-governador Joaquim Francisco (PFL), hoje deputado federal, reivindicava sua indicação como candidato ao Senado pela aliança governista em Pernambuco (PMDB/PFL/PSDB).

Com a candidatura de Maciel ao Senado, entretanto, Joaquim deve disputar novo mandato de deputado federal, já que a outra candidatura a senador, pela aliança, ficará com o PSDB. O mais cotado é o secretário Sérgio Guerra (Projetos Especiais e Desenvolvimento Urbano).

Procurador da República, Gilmar Mendes está afastado do Ministério Público desde 1996. Os partidários de sua indicação ao STF ressaltam que ele tem uma sólida formação acadêmica, com especialização na Alemanha. Acreditam até que ele poderá desempenhar o papel hoje ocupado pelo decano do Supremo, Moreira Alves, profundo conhecedor de direito constitucional que se aposentará em 2003.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.01.2002
Terça-feira