RMR já possui 110 navios naufragados, onde se formam recifes de coral apropriados para a prática do mergulho: uma ótima dica para suas férias
por BRUNO ALBERTIM
Nas férias de verão, quando a luminosidade aumenta a transparência das águas pernambucanas, Recife costuma se tornar ponto de convergência de mergulhadores de todo o País por ser conhecida como a ‘capital dos naufrágios’. Ao longo da costa da Região Metropolitana existem nada menos que 110 navios naufragados. Vinte e dois deles costumam ser freqüentados pela turma do cilindro. Este verão, contudo, promete aumentar as fronteiras submarinas do Estado. Na próxima semana, três navios serão afundados na Praia de Boa Viagem.
Uma das mais antigas escolas de mergulho do Estado, a Brasmar, através do Projeto Mar, comprou três navios com a finalidade exclusiva de afundá-los a uma distância de cerca de 12 quilômetros das areias da praia urbana que é cartão-postal do Recife. Com laudos sobre impactos ambientais do Ibama, da Companhia Pernambucana do Meio-Ambiente (CPRH) e Marinha, a companhia irá decidir ainda em que dia as três embarcações irão a pique. “Depois de uns quinze dias, os locais já estarão bons para os mergulhos, pois começarão a receber peixes e outros animais aquáticos”, diz Joel Calado, 50 anos, mergulhador há 34 e um dos donos da companhia e instrutor do Projeto Mar.
Para adquirir as embarcações (usadas), a empresa gastou cerca de R$ 13 mil, negociando com o fabricante uma redução do preço inicial em forma de patrocínio. “Tentamos apoio oficial, mas não obtivemos e resolvemos apostar sozinhos”, diz Calado. Os rebocadores consistem numa espécie de navio pequeno, com cerca de 34 metros de comprimento cada. São usados para transportar navios grandes com problemas mecânicos. Afundados, funcionarão como arrecifes e bancos de coral artificiais. “Os locais escolhidos não possuem até hoje nenhum tipo de parede de coral ou algo parecido. Com eles, peixes e tartarugas terão um ponto para reprodução e alimentação”, diz o mergulhador.
Além do Projeto Mar, um braço da Brasmar dedicado à iniciação de novatos no mergulho, vários grupos e agências de viagem da cidade oferecem passeios e o chamado mergulho de batismo nas águas pernambucanas. As instruções básicas para quem vai mergulhar pela primeira vez são repassadas a caminho do mar ou, no máximo, com um dia de antecedência.
“Todos que mergulham pela primeira vez têm acompanhamento de um mergulhador credenciado, que vai operar o equipamento para eles”, diz Garibaldi Perussi que, além de instrutor em rapel, também acompanha mergulhadores iniciantes e credenciados. Peixes e tartarugas são comuns em pontos como o naufrágio Pirapama, um dos mais freqüentados da costa. Trata-se de um navio a vapor que naufragou a 6,5 milhas da costa, na linha do Porto do Recife, um ano depois de ter batido na embarcação Vapor Bahia. São 23 metros de profundidade. Há outros pontos também de profundidade ideal para iniciantes. O naufrágio San Martin, afundado a duas milhas do Porto do Recife desde que uma de suas caldeiras explodiu, em 1968, possui apenas 17 metros de profundidade.
Para quem não quer ter o mergulho como apenas episódio isolado de férias, uma dica: um curso básico pode ser proporcionalmente mais barato que o batismo. No Projeto Mar, por exemplo, duas semanas de aula, com direito a dois mergulhos, custa (promocionalmente) R$ 150. Já o batismo custa R$ 120. “Encarece por causa da companhia individualizada de um instrutor”, explica Joel. Outra vantagem: da próxima vez em que for mergulhar, já coma sua carteirinha de credenciado, você irá pagar apenas o aluguel do equipamento e do barco, algo que costuma variar entre R$ 50 e R$ 70.