As férias de verão também trazem novidades para quem está interessado em aventuras verticais em Pernambuco. Considerado por muitos o principal ponto de escalada do Nordeste, a Pedra do Cachorro, uma montanha cujo topo atinge 860 metros acima do nível do mar, no município de São Caetano do Sul, terá uma nova via de escalada. Hoje, quinta-feira, uma expedição com seis alpinistas ligados ao Grupo Selva, uma empresa pernambucana especializada em esportes radicais, parte pedra acima para fincar na montanha os ferrinhos especiais que permitirão esse novo deslocamento pelo percurso de cerca de 340 metros que a pedra tem do solo para o topo.
A tarefa não é simples. Eles devem gastar cerca de uma semana na empreitada. “Vão dormir no meio da pedra. No dia 18 de janeiro, a via deve estar concluída e poderemos começar a trabalhá-la comercialmente”, diz Meireles Neto, diretor do Selva. No final do mês, quando deve estar aberta aos interessados, a escalada completa da pedra deve durar cerca de dois dias. Tudo com suporte de alpinistas experientes. A descida será realizada por meio de cordas suspensas, numa prática cada vez mais conhecida no Estado pelo seu nome, o rapel.
As novidades sobre a Pedra do Cachorro não terminam aí. Antigo sócio do Selva, o instrutor de esportes radicais Garibaldi Perrussi herdou do antigo negócio a administração de um dos lados da pedra. E, com isso, radicalizou também com o que pretende fazer com o lugar. Irá criar o primeiro pólo ‘filantrópico’ de esportes radicais no Estado. “Temos recursos naturais imensos mas muito pouca gente que pratica atividades como o rapel. É preciso formar público”, defende. Seu alvo de trabalho é formado preferencialmente por estudantes, mas, com acertos prévios e, transporte particular, qualquer pessoa pode entrar em contato com ele para formar grupos de escalada e rapel. Tarifas: zero.
Outros pontos do Estado, como a Cachoeira do Véu da Noiva, em Bonito, que permite uma descida num percurso de 33 metros, também podem ser explorados. Hoje, devido à distância do Recife, já que São Caetano fica a pelo menos três horas de distância, Bonito e Gravatá são os pontos mais procurados pelos rapeleiros e aventureiros afins do Estado. Em Gravatá, um pontilhão famoso permite uma descida de 50 metros. O aluguel dos equipamentos e o apoio de instrutores para o programa costuma ficar entre R$ 40 e R$ 50. Há também expedições completas, como a que oferece a Mangaio Ateliê de Turismo, indo até o início de Gravatá em carros 4X4, para então, seguir a pé uma trilha por oito túneis, onde, ao final do percurso, há a descida opcional da ponte.
Em Gravatá, também há novidades para quem quer aventuras com riscos mais controlados. O tradicional Hotel Portal de Gravatá inaugura, neste verão, a maior parede de escalada artificial do Nordeste, numa altura de 10 metros. Rapel e descida na tirolesa, uma corda por onde os aventureiros podem deslizar amarrados numa espécie de cadeirinha. Há pacotes de dois a sete dias e o day use apenas para os equipamentos fica em torno de R$ 30.
Voltando ao quesito ‘paredes’ naturais, uma boa opção também está em Gravatá. Instrutores como os do Grupo Selva levam turistas a uma montanha ainda pouco explorada no Estado. São os 89 metros da Pedra da Chuvada, na área rural do município. “Para quem está começando, costumados fazer o ‘batismo’ com o tope rope, uma subida com cordas previamente amarradas numa altura de cerca de 50 metros”, diz Meireles. Para quem quer se aventurar sem ter que, literalmente, ficar pendurado, as agências e grupos do Recife oferecem também caminhadas por quase todos os pontos do turismo radical no Estado (B.A.)