A equação verão + férias tem sempre como resultado uma mistura de sotaques diferentes no território pernambucano. Segundo as expectativas da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), o verão 2001/2002 no Estado deve ter uma média de um milhão e 180 mil turistas. Quem não vem com pacotes fechados, para resorts, por exemplo, deve se misturar aos moradores locais nos eventos que invadem ruas do Recife e de Olinda durante o mês que antecede o Carnaval.
“Em janeiro, Recife é a ego-capital. Todos que moram fora viajam para cá, para reencontrar os amigos, curtir a cidade e esperar o Carnaval”, sintetiza o produtor e agora apresentador Roger de Renoir, que, sábado passado, estreou na Torre Malakoff, no Recife Antigo, uma das atrações que mais devem ser comemoradas neste verão. Todo sábado, ele comanda, na torre, o programa Sopa da Cidade, transmitido ao vivo pela Rádio Cidade. Uma excelente oportunidade, sobretudo para quem não mora no Estado, de conferir essa tão falada cena musical pernambucana. “Acaba virando um misto de programa com show. Sábado passado, com a Nação Zumbi, aquilo parecia uma das primeiras apresentações do movimento, nos antigos bares do Recife Antigo”, diz ele. Dicas para a agenda festiva: no próximo sábado, tem Silvério Pessoa. Os sábados seguintes devem trazer Cordel do Fogo Encantado e Lula Queiroga, em ordem a ser ainda confirmada. Entradas sempre gratuitas, a partir das 18h.
Olinda, a cidade-folia, também entra em clima pré-carnavalesco. A partir das 14h, na Praça da Preguiça, rola o projeto Sacudindo a Preguiça. São exposições, oficinas musicais, como frevo e percussão, (todas realizadas na hora, ao preço de módicos R$ 5), seguidos de uma programação musical com início às 19h, com músicos e DJ`s. A próxima sessão, por exemplo, tem o percussionista Erasto Vasconcelos e Rogerman, da Bom Sucesso Samba Clube.
NO PÁTIO –De hoje até o final do mês, todas as quintas, o passista Nascimento do Passo, o mais notório mestre do ritmo em atividade, dá aulas-show no Pátio de São Pedro. O casario colonial do Pátio já virou um dos pontos do burburinho do verão. Aos sábados, ocorre o Sábado Mangue, um projeto que apresenta novos, velhos e consagrados músicos da cena local. No próximo, as guitarras saem de cena e sobe ao palco o espetáculo músico–teatral Sonho da Rabeca, com o Mestre Salustiano. Às sextas, a partir das 20h, o lugar é abrigo de grupos de coral e orquestras. Aos interessados no saudosismo do frevo de bloco, toda quarta-feira tem ensaios do Eu Quero Mais. Aos domingos, o versátil DJ Salvador ( que se lançou em carreira solo e já fez parte de bandas locais como a Margarida Pereira e os Fulanos e etc, etc) discoteca no lugar que também recebe escolas de samba durante o projeto, chamado SambaSim.
Tem mais: no Sítio da Trindade, escolas de samba, grupos afro e maracatus fazem a festa a partir das 20 horas das sextas, sábados e domingos. Um dos pontos altos será o domingo 20 de janeiro, quando desfilam os tradicionais blocos Flor da Lira, Pierrô de São José, Bloco das Flores, Quero Mais, Madeira do Rosarinho e a Orquestra Alegria do Frevo. Às quartas e quintas, gente como Selma do Côco e a Orquestra de Pau e Corda, também no perfil carnavalesco, tomam conta da Praça do Arsenal da Marinha, no Bairro do Recife. Voltando à Torre Malakoff: sábado é dia de aula-ensaio com mestres da música pernambucana. No próximo, por exemplo, rolam os tambores do Maracatu Leão Coroado, em atividade desde 1863. Pois é, para não realizar uma imersão, mínima que seja, na cultura pernambucana, um turista vai precisar fazer muito esforço em janeiro.(B.A.)