Ford e GM apresentaram modelos que lembram as décadas de 50 e 60, auge da indústria automobilística norte-americana. Os protótipos nostálgicos incorporaram tecnologia
Primeiro grande evento automobilístico do ano, o Salão de Detroit (Naias), aberto para a imprensa na semana passada, trouxe entre suas grandes atrações veículos inspirados nos tempos de ouro da cidade norte-americana onde a indústria automobilística viveu seus dias de glória. No evento, a 86ª edição do salão, que será encerrado dia 21, a General Motors reeditou o Bel Air, sucesso da década de 50, enquanto a Ford trouxe de volta o clássico GT 40, lançado em 1966.
O protótipo da Chevrolet revisa as linhas do Bel Air 1955, provavelmente para fazer frente ao novo Ford Thunderbird. O painel é o que mais lembra o Bel Air original. A alavanca de câmbio fica na coluna de direção e o banco dianteiro é inteiriço. O chassi é separado da carroceria e a tração é traseira. Mas o coração é moderno: o motor é um Vortec de cinco cilindros em linha e 3.5 litros. Seu rendimento: 315 cavalos.
O carro-conceito da Ford, o GT 40, refilma o clássico que arrasou a Ferrari e a Porsche em corridas dos anos 60. Quatro vezes campeão na corrida de Le Mans, o GT 40 foi apresentado pelos ex-pilotos de Fórmula 1 Jack Stewart e Phill Hill. O novo carro é dez centímetros mais alto e 45 centímetros mais longo que o antigo. Os faróis usam dezenas de leds em vez de lâmpadas convencionais, o que lhes confere um brilho intenso. O motor é V8, com compressor. Tem bloco de alumínio, 5.4 litros e mais de 500 cv de potência.
Também na linha retrô aposta a Lincoln, com o Continental, inspirado no carro de mesmo nome lançado em 1961. A reedição, no entanto, vem recheada de soluções inovadoras. As portas abrem e fecham sozinhas graças a um motor elétrico. Como não há coluna central, surge um vão imenso. Há computadores para os passageiros do banco de trás, direção nas quatro rodas, pressão dos pneus monitorada e dois bebedouros no descanso de braço. O interior segue o estilo art déco, com destaque para o painel.
FUTURO – A tendência nostálgica, no entanto, não inibiu apostas futuristas como o Pontiac Solstice, da GM, inspirado nos esportivos europeus e japoneses. É um carro pequeno, de linhas arredondadas, simples e em versões com e sem capota. O motor é o Opel Ecotech 2.2, preparado para render 240cv. Como boa parte de suas peças vem de outros veículos em linha de montagem, o protótipo deverá entrar no mercado brevemente.
Outro conceito inovador da GM é o Autonomy, uma plataforma moderna com design futurista. A tecnologia empregada elimina os pedais de acelerador e freio e os quatro motores ficam nas rodas. Permitindo a instalação de qualquer carroceria, o Autonomy é movido a energia elétrica gerada por célula de combustível.
A Cadillac, nos seus cem anos, trouxe o protótipo Cien, com desenho superesportivo. O motor é um V12 central de 750cv, que pode funcionar em seis cilindros para economizar gasolina e poluir menos.
A Chrysler trouxe um novo segmento, com o protótipo Pacifica. Mistura de utilitário-esportivo com minivan, com linhas aerodinâmicas e desenho moderno, o Pacifica foi desenhado no estúdio da Califórnia e vem equipado com motor V6 3.5 de 250 cv.