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FUGA
Helicóptero resgata presos em SP

Foi a ação mais espetacular já ocorrida no sistema prisional paulista. Dois homens alugaram aeronave, renderam piloto e o obrigaram a pousar na prisão

SÃO PAULO – Um seqüestro de helicóptero em pleno vôo. E o piloto é obrigado a descer dentro de uma prisão de São Paulo. Dois detentos sobem correndo como se fossem executivos e estivessem em um heliponto da Avenida Paulista. A aeronave decola em meio a tiros de policiais. A dupla e os resgatadores fogem sem deixar pista.

Esse é o resumo da fuga mais espetacular que o sistema prisional paulista já viu em sua história, ocorrido ontem, em plena luz do dia. O feito é inédito no Estado. Igual no País, só a fuga do traficante José dos Reis Encina, o Escadinha, da penitenciária de Ilha Grande (a 154 quilômetros do Rio de Janeiro), em 1985.

Como resultado da ação, estão de volta às ruas dois condenados, que juntos somam 99 anos de prisão a cumprir, além de processos e investigações ainda em andamento. Um dos foragidos é o assaltante de banco Dionizio de Aquino Severo, 37 anos. O outro é Ailton Alves Feitosa, condenado por assalto, atentado violento ao pudor e homicídio.

Pouco antes das 13h, dois homens entraram em um hangar do Campo de Marte, na capital, e alugaram um helicóptero, um modelo Esquilo, parecido com o da Polícia Militar. Alegaram que queriam um vôo panorâmico.

No ar, renderam o piloto Odailton de Oliveira Silva, 52 anos e 26 de profissão, e desviaram a aeronave para a Penitenciária José Parada Neto, às margens da rodovia Ayrton Senna, em Guarulhos. Considerado de segurança máxima, esse presídio abriga 960 detentos.

O percurso do Campo de Marte até o presídio deve ter durado três minutos, segundo a PM. O helicóptero deu um rasante e desceu dentro do raio 1 – um dos três pavilhões do presídio, onde deveriam estar os detentos menos perigosos. É o único local onde havia uma quadra de futebol, com dimensões de 25 e 40 metros. “O helicóptero passou em cima de mim. Daí ouvi tiros e ele foi embora. É incrível uma ação dessa”, disse o pai de um preso, que no momento do resgate estava no presídio.

Segundo a polícia, o Esquilo pousou protegido pelas paredes do prédio. “Só na decolagem é que foi possível atirar. Não se tinha visão de tiro da torre (onde os PMs estavam) quando o helicóptero pousou”, conta o delegado Edson Silveira, 41 anos, do 8º Distrito Policiais de Guarulhos, que visitou o local. Antes de fugir, os detentos haviam almoçado com os demais.

Dos quatro policiais que estavam nas muralhas, apenas dois atiraram contra os resgatadores, que não revidaram. Houve cinco tiros, segundo o tenente-coronel Paulo César Máximo, 49 anos, comandante-interino do policiamento metropolitano.

O piloto seqüestrado foi libertado minutos mais tarde em um campo de futebol em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Os quatro passageiros desapareceram por trás de um barranco. Havia carros à sua espera, dos quais só uma van Sprinter foi identificada.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.01.2002
Sexta-feira