O militar, que depôs à polícia ontem por mais de três horas, insinuou que a companheira de sua filha também cheirasse cocaína. Ele agora quer a tutela do neto
RIO – O advogado de Altair Eller, pai de Cássia Eller, Ricardo Leitão, disse ontem que, em seu depoimento de mais de três horas à polícia, o militar fez declarações contundentes e esclarecedoras, com detalhes aterradores, sobre o consumo de drogas no apartamento em que Cássia vivia com a companheira, Maria Eugênia Vieira Martins. O pai da cantora depôs ontem na 10ª Delegacia Policial, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, onde estão sendo investigadas as circunstâncias da morte da cantora.
O advogado informou que, em até dez dias, vai tentar impugnar o pedido de guarda provisória de Francisco Eller, o Chicão, filho de Cássia, concedida à Eugênia. O militar, que voltara atrás na decisão de lutar pela tutela do menino, mudou de opinião porque Eugênia o estaria proibindo de ver o neto.
Segundo Ricardo Leitão, em nenhum momento Eller afirmou ter conhecimento se Eugênia consome drogas. “Mas elas moravam na mesma residência. Queremos saber sobre isso”, afirmou. O militar, que ontem não deu declarações à imprensa, já havia dito à reportagem, na semana passada, que desconfiava que Eugênia acompanhava Cássia no uso de cocaína – vício que a roqueira admitiu em diversas entrevistas.
“Elas estavam sempre juntas. Se rolava com Cássia, possivelmente rolava também com a Eugênia”, afirmara Eller. Leitão descarta a possibilidade de solicitar um exame toxicológico da companheira de Cássia, porque, pela lei, isso não é possível. “Se ela quiser fazer por conta própria já é outra história.” O advogado de Eugênia, Marcos Campuzano, acredita que a conduta de Eugênia já foi mais do que atestada pela sociedade. “Fazer exame toxicológico nela é uma fantasia. Ela não tem do que se defender. Se ele (Altair) a está acusando, tem que provar”, retrucou Campuzano.