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MÚSICA
Câmbio Negro detona ao vivo

Uma das bandas mais antigas de hardcore em atividade promove minifestival hoje, no Dokas, para gravar seu novo disco com a participação da galera banger

por MARCOS TOLEDO

Oito anos após seu último LP, a banda de hardcore Câmbio Negro H.C., uma das mais cult (e remanescentes) no cenário underground do Recife, enfim, faz as pazes com o formato digital e prepara o primeiro CD da carreira. Terror Ao Vivo vai ser gravado hoje, no show que o grupo faz no bar Dokas (Recife Antigo). Antes, a partir das 21h, a noitada já começa em picos de decibéis com a rapaziada da Bizouro Verde (PE) e as veteranas Rotten Flies (PB) e Karne Krua (SE).

No limiar de seus 17 anos de existência, a Câmbio Negro H.C. prepara o novo trabalho com o objetivo de registrar o momento atual da carreira e também para homenagear os fãs – muitos dos quais, fiéis nessas quase duas décadas.

Os únicos registros fonográficos da banda foram feitos no início dos anos 90, ainda em vinil: O Espelho dos Deuses (1990) e Terror nas Ruas (1993). Depois disso, o grupo só entrou em estúdio para ensaiar.

Até mesmo os shows, nos últimos oito anos, foram escalonados. A banda chegou a se apresentar em uma das edições do Abril Pro Rock, mas ficou de fora de outros festivais importantes como o PE no Rock e o Rec-Beat de Carnaval. Com a redução de locais alternativos, os concertos ficaram cada vez mais raros. Mas o grupo nunca se desfez. Ao contrário, manteve uma formação mais fixa.

“A gente deu uma parada a nível de objetivo de gravação”, explica L.A. Nino, baterista e único membro-fundador. “Foi por desestímulo. Eram sempre os mesmos festivais e as mesmas bandas.” Ainda assim, nesse intervalo, a banda viveu bons momentos nas aberturas dos shows de Paul Di’Anno e Marky Ramone, no Recife, e em seu próprio comemorativo de 15 anos.

No que diz respeito a gravações, a Câmbio Negro H.C. deixou alguns de seus temas registrados em algumas coletâneas. O primeiro foi Fuga, na trilha do vídeo local Enjaulado. Depois, Angústia, Evolução e Psicopata de Deus, no disco El Toro, da Pecúlio Records (selo de Frauda, da Ratos de Porão; e Radioatividade, na coletânea Apocalypse 2000 (Tamborete). A banda ainda estuda a proposta de um selo de Brasília, que pretende lançar os dois primeiros LPs em um único CD.

PERFIL DO TERROR – Para o novo Terror ao Vivo, Pesado (voz), Marco Antônio (guitarra), Márlio (baixo) e Nino (bateria) pretendem fazer um apanhado de todas as fases da Câmbio Negro H.C. O repertório inclui as principais faixas dos dois álbuns anteriores, com novos arranjos; músicas do início da carreira que nunca foram gravadas; e O crime, canção da Karne Krua, banda de origem de Márlio.

No set list haverá mais músicas do que deve entrar no disco – incluindo covers dos Ramones (Surfin’ bird) e do Crucified (Agnostic front). Apenas as melhores performances permanecem na edição final.

Segundo Nino, não ficaram de fora canções sempre pedidas pelo público, a exemplo de A ordem, Meu filho, Programados para morrer, Mentiras, Ao filho do homem, O ecologista morto, Farsa (todas dos primeiros LPs); e as recentes Marionetes, Atraiçoados, Tua prece, Angústia e Fuga.

“Queremos deixar o disco meio ‘sujo’”, adianta o baterista. “Temos ouvido sons muito bem gravados, mas está faltando vazamento de som. O rock’n’roll precisa disso”, acredita. “Não é o disco dos sonhos. É para marcar uma fase. E, ao vivo, é especial.” O grupo planeja tirar várias fotos da platéia e vai colocar um livro de assinaturas para homenagear os fãs no encarte do disco.

Essa é a segunda tentativa do grupo de gravar o Terror Ao Vivo. Na primeira, há um mês, o equipamento A-Dat não foi disponibilizado a tempo. Mas agora, garante Nino, é para valer. Assim que os fonogramas estiverem prontos, o disco será prensado. A parte gráfica – um material underground, condizente com a proposta do grupo – será finalizada no Recife. Ao todo, devem ser prensadas entre 1,5 e 2 mil cópias.

Serviço

Show de gravação do CD Terror Ao Vivo, da Câmbio Negro H.C.; convidados: Bizouro Verde, Rotten Flies e Karne Krua. Hoje, às 21h, no bar Dokas (Rua do Brum, Recife Antigo). Ingresso: R$5

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Jornal do Commercio
Recife - 18.01.2002
Sexta-feira