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SERRA TALHADA
Hospital Regional é denunciado

Médicos da unidade de saúde pública solicitaram ao Cremepe a apuração das circunstâncias da transferência de pacientes para uma clínica particular

O Hospital Regional Professor Agamenon Magalhães, de Serra Talhada, no Sertão do Estado, que tem 70 leitos e atendia uma média de 70 pessoas em sua emergência, desde o início do mês está funcionando temporariamente numa clínica particular, a Casa de Saúde e Maternidade São Vicente. A medida, que a Secretaria Estadual (SES) de Saúde diz ser necessária por causa da reforma do hospital, está sendo questionada por cinco médicos da instituição. Eles denunciaram o caso ao Conselho Regional de Medicina (Cremepe), Conselho Estadual de Saúde e Sindicato dos Médicos de Pernambuco, alegando que o representante da SES na região, o diretor da 10ª Diretoria Regional de Saúde, Clóvis Carvalho, é sócio do estabelecimento particular.

André Barreto Guimarães, um dos médicos que fizeram a denúncia e ex-diretor do hospital, questiona a necessidade da transferência e a ética da medida. “O gestor do Estado é um dos donos da casa de saúde”, argumenta. Ele também critica o fato de os serviços públicos serem prestados num mesmo espaço em que é feito o atendimento a pacientes particulares. “Se os dois doentes usam o mesmo bloco cirúrgico, como garantir que o material comprado pelo Estado não será gasto com o particular?”

O diretor da 10ª Dires, Clóvis Carvalho, nega que seja sócio da casa de saúde e que tenham ocorrido irregularidades na relocalização temporária do hospital regional. “Estão fazendo política”, diz. Segundo ele, parte dos médicos que assinaram a denúncia tem parentesco com dirigentes de outra clínica da cidade. Carvalho afirma que apenas presta serviço ao estabelecimento particular, por meio de uma cooperativa de anestesistas. Explica que a obra é necessária e que a relocalização foi recomendada pela Vigilância Sanitária, pois a reforma afetaria a recepção de pacientes.

Carvalho também esclarece que a Casa de Saúde São Vicente foi a única, de cinco consultadas, que demonstrou interesse em alugar parte de suas dependências para o hospital regional. O diretor da 10ª Dires conta também que não está havendo favorecimento ao estabelecimento e que não há como o serviço usar materiais do SUS para atender pacientes particulares. “O hospital regional tem 50 médicos e apenas cinco estão questionando a medida. Os demais estão trabalhando normalmente no outro espaço”, informa. Segundo ele, o Estado está pagando R$ 9 mil de aluguel à Casa de Saúde São Vicente. As obras do regional devem ser concluídas em abril.

O Conselho Regional de Medicina fará uma fiscalização no local. O secretário geral do Cremepe, Roberto Tenório, diz que se for constatada irregularidade, o caso será encaminhado ao Ministério Público. Ele afirma que a entidade está preocupada com as condições de assistência aos doentes e que recomendou aos médicos insatisfeitos que não deixem de atender os pacientes.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.01.2002
Sexta-feira