Segundo Mauro Arce, da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, o Nordeste pode sair do racionamento antes do Sudeste
O nível dos reservatórios do Nordeste duplicou desde o início deste mês por causa das recentes chuvas. No dia 1º de janeiro, o armazenamento registrado na barragem de Sobradinho era de 3 bilhões de metros cúbicos de um total de 28 bilhões de metros cúbicos que é a capacidade total do reservatório. Ou seja, 11,03%. Hoje, esse acumulo chega a 6,3 bilhões de metros cúbicos, ou 22,57% da capacidade.
Apesar dessa evolução positiva, esse armazenamento ainda está longe de uma situação normal. Em janeiro de 2001, por exemplo, Sobradinho estava com 11,8 bilhões de metros cúbicos de água armazenados. Além disso, em fevereiro parou de chover na cabeceira do Rio São Francisco, o que acabou causando a crise energética e o racionamento do ano passado.
Em relação à energia acumulada equivalente – que leva em conta o somatório do armazenamento de todos os reservatórios –, o nível já chega a 27,41% da capacidade total. Nos últimos dias, foi possível observar o maior volume de entrada de água (afluência) no reservatório de Sobradinho desde janeiro do ano passado. Essa afluência chega a 4,39 mil metros cúbicos por segundo quando, no pior momento do racionamento, essa média estava em 600 metros cúbicos por segundo.
Em contraponto, volume de água utilizado para a geração de energia está em apenas um mil metros cúbicos por segundo. Já o lago de Itaparica, que tem uma capacidade de armazenamento menor, está com um acumulo de água de 79,2%. Isso porque, quanto maior o nível da barragem, maior a queda d’água e melhor o aproveitamento pelo sistema.
Para o secretário de Energia de São Paulo e membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), Mauro Arce, se as chuvas continuarem a cair na cabeceira do São Francisco no volume atual, o Nordeste poderá sair do racionamento de energia antes mesmo que o Sudeste. Arce tem acompanhado de perto a evolução do enchimento dos reservatórios das hidrelétricas pelas chuvas abundantes de janeiro.
“Se continuar a chover assim, vamos chegar em 2 de fevereiro com um nível de enchimento de 49% dos reservatórios do Sudeste”, prevê. “Com esse patamar, haveria energia suficiente para atender à demanda durante o ano sem recorrer às termelétricas e à energia emergencial, e ainda sobraria 10% de água nos reservatórios no final do ano”, disse o secretário.