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CRÉDITO HABITACIONAL
Burocracia da CEF é criticada por construtores

Excesso de exigências e falta de agilidade para a liberação do financiamento também são apontados como obstáculos para novos negócios imobiliários

A falta de agilidade na liberação dos créditos, a burocracia e as muitas exigências na hora de examinar a capacidade financeira do mutuário foram as principais queixas elencadas pelos construtores pernambucanos com relação às linhas de crédito da Caixa Econômica Federal (CEF). São esses pontos que fazem o setor temer que o orçamento de R$ 8 bilhões em 2002, da Caixa para o setor habitacional, não seja totalmente utilizado. Em Pernambuco, os investimentos do banco ficarão na casa dos R$ 240 milhões.

“Não é grande coisa, mas não faz sentido não ser totalmente utilizado”, comentou o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-PE), Arménio Ferreira. O assunto foi discutido durante todo o dia de ontem com a assessora técnica da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Henriqueta Alves, empresários do setor em Pernambuco e o superintendente de Negócios da CEF no Recife, Alex Norat.

“De um modo geral chegamos à conclusão de que temos de acelerar o processo de contratação dos programas habitacionais da Caixa. Todo o processo de captação junto à CEF é descentralizado, demanda muitos passos. Tudo isso retarda a contratação. Não são fases dispensáveis, porém todas elas podem ser mais rápidas”, constatou Henriqueta após a reunião.

O presidente da Ademi deu dois exemplos de programas que têm, segundo sua visão, boas concepções, mas terminam atrapalhando a vida de empresários e clientes. O Programa de Arrendamento Residencial (PAR) é um exemplo de programa que vem cada vez mais dificultando a vida dos construtores. “São problemas como o preço fixo que a Caixa paga para uma construção de um ano, especificações técnicas que inviabilizam o processo construtivo. Em vários Estados, os empresários têm reclamado”, afirmou Ferreira.

Como exemplo de um programa que ‘atrasa’ o consumidor, Armérnio Ferreira destacou o Prodecar, extinto no ano passado. “A Caixa vai criar o novo Prodecar, com verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) com um nível de análise de crédito muito mais rigoroso do que o do antigo modelo. Isso dificulta o acesso ao financiamento”, disse.

Henriqueta informou que a reunião com o superintendente da Caixa foi positiva (ele não foi encontrado pelo JC), pois, segundo disse, o banco também tem interesse em agilizar o processo. Pernambuco foi o quarto Estado visitado pela assessora da CBIC. Semana que vem ela visita os Estados do Sul e depois do Centro-Oeste. “Esse diagnóstico de lentidão nos processos é nacional. Depois dessas reuniões vou montar um relatório e apresentá-lo à diretoria da CBIC, numa reunião com o presidente da Caixa, Emílio Carazzai”, disse Henriqueta.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.01.2002
Sexta-feira