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Dois Toques
Lula Carlos

De cara feia

A gente fala bem, defende, ajuda, e eles gostam. Diz uma verdade que desagrada e eles fecham a cara. Estou acostumado com isso, calejado, e não ligo. Mesmo porque cara feia nenhuma conseguirá mudar a minha linha de conduta. Não tenho rabo preso a ninguém e ando de cabeça erguida. São quase 50 anos de batente e nenhum deslize na profissão que abracei.

As minhas bodas de ouro de jornalista estão perto de acontecer, faltam apenas dois anos. Com todo esse tempo de jornal, acho que mereço um certo respeito. O que eu disse sobre as mentiras é aquilo mesmo. Tem gente mentindo demais. Um campeonato de mentira e uma disputa de verdade. Gosto do que é bom. A Copa que inventaram só tem a capa do governador. O conteúdo é de mau gosto.

Fiel à regra, faço esportes para fazer amigos. Mas, como ensina o velho ditado: “Deus me proteja dos meus amigos. Dos meus inimigos protejo-me eu”. Mudando de assunto, falei dos dirigentes que deram certo no futebol pernambucano e o meu telefone tocou mais do que de costume. Foi um inferno.

Faltaram alguns nomes, eu sabia que aconteceria e me desculpei. Agora, não dá mais. Um pedido que foi feito numa das ligações vou atender: destacar, de cada clube, o dirigente nota 10. Consultei alguns amigos que conhecem a história de seus clubes e as opiniões foram quase unânimes.

No Náutico, Eládio de Barros Carvalho. No Sport, José Médicis. No Santa Cruz, Aristófanes de Andrade. O pajé Eládio não teve competidor, Adelmar da Costa Carvalho foi lembrado, e James Thorp não foi esquecido. O maior dirigente de todos eles foi Rubem Moreira, que mandava no futebol. O seu prestígio era de Norte a Sul. Até Havelange dependia desse prestígio para vencer eleição na antiga CBD, hoje a casa de festejos de Ricardo Teixeira.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.01.2002
Sexta-feira