Há duas décadas ninguém ouvia falar em resorts no Brasil. O País não tinha infra-estrutura e pessoal qualificado para abrigar grandes hotéis e se consolidar como destino. Com o desenvolvimento dos serviços urbanos, esse quadro começou a mudar e o Brasil foi ‘(re)descoberto’ pelo mercado internacional.
Projetos na área do turismo, como a construção de grandes complexos de lazer, estão saindo do papel e o setor está mais organizado.
Prova disso é o surgimento da Associação Brasileira de Resorts (ou Resorts Brasil), fundada em dezembro de 2001, com o objetivo de divulgar os resorts brasileiros como alternativa de produto turístico de qualidade.
Ainda pouco conhecido, o órgão é formado por 16 estabelecimentos, a maioria do Nordeste. Entre eles estão o Blue Tree Park do Cabo de Santo Agostinho e o Summerville Beach Resort (PE).
De acordo com o diretor administrativo da associação, Luiz Daniel Guijarro, o número de apartamentos de resorts no Nordeste cresceu 110% entre o verão de 1999 e o de 2001. Segundo ele, isso se deve, principalmente, ao surgimento dos resorts de Pernambuco e da Costa do Sauípe.
Para aumentar ainda mais o índice de ocupação, nos próximos três anos a associação deve investir US$ 100 milhões em ampliação, manutenção e melhorias. Ao mesmo tempo, Guijarro lembra que a Resorts Brasil ainda não fez um levantamento de quantos resorts foram erguidos no Nordeste nos últimos anos.
Outra prioridade é identificar o que, afinal, define um hotel como resort. “Existe um conceito filosófico, mas, na prática, não há nenhuma posição oficial.”
De acordo com o presidente em exercício da ABIH em Pernambuco, Luiz Otávio Meira Lins, a indústria de resorts no Brasil deve estourar nos próximos 15 ou 20 anos.
“O grande boom vai consolidar o Brasil como um grande destino de resorts no mundo”, diz.
Segundo ele, o fato de os resorts estarem começando a aparecer por aqui não se deve à uma possível saturação do mercado internacional. “Trata-se de uma diversificação, pois o público de resorts gosta de variar. O brasil foi descoberto”, completa.
Meira Lins afirma que houve um pequeno atraso para o início da construções dos grandes hotéis em Pernambuco por causa da demora das negociações sobre a Costa Dourada, que integra o Estado e Alagoas. Mesmo assim, alguns empresários tomaram iniciativa e investiram.
“Mesmo com a Praia dos Carneiros sendo a mais cotada, Muro Alto foi o local escolhido. Outros projetos, como a criação de um centro de turismo de lazer, da Agência Luck, devem surgir. A tendência é que essa rede aumente não só em Pernambuco, mas em todo os Estados do Nordeste”, prevê.
Lins apontou como principal vantagem da instalação de novos hotéis a grande concentração de vôos fretados com destino aos resorts.
Sobre os hotéis dos centros urbanos, ele acredita na tendência de que devem ficar mais concentrados no turismo de convenções e negócios. (J.N.)