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CONSUMIDOR
Manual traz boas dicas para os proprietários

O livro, além de trazer os direitos e deveres do proprietário e do fabricante, tem um caráter educativo, orientando sobre a manutenção, segurança e o funcionamento do automóvel

O defeito que deve ou não ter a cobertura de fábrica é sempre um ponto de muita discussão entre concessionários e proprietários de veículos. Muitos casos só encontram solução nos Procons ou na Justiça. O Código de Defesa do Consumidor diz que é de responsabilidade do fabricante pelos vícios ocultos – defeitos que só aparecem nos produtos depois que acaba a garantia.

Mas para saber onde começa o direito do cliente é fundamental estar informado sobre os termos de garantia do carro. As normas constam do manual do proprietário. O livro de quase 100 páginas é também um roteiro muito útil que ajuda o usuário a se familiarizar com o funcionamento do carro e ainda dá dicas de economia, manutenção e segurança.

O representante comercial Ricardo Moura diz que nunca teve problemas com cobertura de defeitos. “Sou um cliente chato, mas sei bem o que devo ou não reclamar, pois nunca dispensei a leitura dos meus direitos no manual do carro” afirma ele.

Nem todos os que compram veículos são como Ricardo Moura e é bem verdade que, como leigo no assunto, o usuário não dispõe de conhecimento técnico para se contrapor aos argumentos do fabricante.

Um ponto que não agrada aos consumidores e ter despesas nos serviços de revisão durante o prazo de garantia. Num modelo popular o custo fica entre R$ 150 e R$ 200. É o preço pago pela troca de itens que sofrem o desgaste natural (como pastilha, óleo, filtros) e que a garantia não cobre.

“O usuário tem que ter o cuidado de ler o manual,” ressalta o gerente de assistência técnica da Italiana, Carlos Alberto Monteiro. Os carros da Fiat, por exemplo, têm cobertura três meses para lâmpadas, embreagem, freio e pára-brisa. Se a correia dentada partir antes dos 40 mil quilômetros rodados, a fábrica também paga. A cobertura para alguns itens considerados de desgaste normal, mesmo que curta, foi uma maneira que a Fiat encontrou de evitar conflitos com os clientes.

O gerente de serviços da Duvel, concessionária Ford, Bonifácio Lins, diz que muitas vezes é preferível analisar com calma a reclamação do cliente e encontrar uma solução. “É importante esclarecer o cliente e tentar não perdê-lo. Mas às vezes encontramos muitas pessoas que tentam tirar proveito da situação,” afirma Lins.

Nesse aspecto, os clientes de carros de luxo têm mais privilégios. As revendas preferem fazer pequenos reparos não inclusos na garantia do que brigar. “Se verificamos que o carro tem um bom trato e o problema não foi ocasionado por mau uso ou desleixo, cobramos só a mão-de-obra,” revela João Carlos Amorim, diretor da Euromotor, concessionária BMW.

TERMO – De maneira geral, os manuais estabelecem os mesmos termos de garantia. Cobertura para defeitos de fábrica no prazo de 1 ou dois 2 anos, dependendo do modelo. Ficam de fora a substituição de itens de desgaste natural como palhetas, pastilhas de freio, amortecedores, filtros, etc. Também é necessário que o proprietário cumpra os prazos determinados para a revisão e que não execute serviços fora da rede autorizada. Modificações que possam comprometer o funcionamento do motor e o sistema de injeção eletrônica ou elétrico do carro perdem a cobertura de fábrica. A garantia também não cobre a deterioração de estofados, alinhamento, balanceamento, rolamentos, itens de vedação e pneus.

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Jornal do Commercio
Recife - 13.01.2002
Domingo