Recife, 03/04/97

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REFORMA Na prática, já caiu a proposta do teto único de remuneração de ativos e inativos

REFORMAS
Cai teto único e votação é adiada

BRASÍLIA
- O lobby dos parlamentares, ministros de tribunais superiores, juízes e altos funcionários públicos que acumulam salário e aposentadorias derrotou o Governo ontem na Câmara. A votação da reforma administrativa foi adiada para a próxima semana, mas na prática já foi derrubada a proposta do teto único de remuneração de ativos e inativos, fixado em R$ 10.800,00 no relatório do deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), apoiado pelo Governo.

Sem os 308 votos seguros para aprovar o relatório, o Governo acabou cedendo às pressões dos parlamentares e, à última hora, ainda tentou um acordo com os descontentes de sua própria base de apoio. Reunidos no gabinete da liderança do Governo, o ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, e os líderes aliados acertaram apresentar uma emenda ao texto de Moreira Franco para atender os liderados. A emenda prevê a criação de um segundo teto, de R$ 21.600,00, produto do acúmulo de salário com uma aposentadoria.

"Esta votação é a mais difícil de todas as reformas, incluindo até a reeleição", avaliou o vice-líder do Governo no Congresso, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Os governistas reconhecem que a reforma administrativa cria dificuldades adicionais à negociação porque envolve salário e interesses das corporações, incluindo aí os parlamentares. "Essa reforma dói no bolso de muita gente", resumiu Madeira.

Os governistas optaram pela emenda diante de uma contabilidade frágil que apontou exatos 308 votos em favor do relatório. "Já avisamos ao ministro Bresser Pereira (da Administração), que se não derem um plus para os deputados a reforma não passa", contou um assessor do ministro encarregado de acompanhar as negociações no Congresso.

"É melhor aprovar a reforma que vai trazer uma economia de mais de R$ 8 bilhões ao Estado, do que pôr tudo a perder por um problema que representa um custo bem menor", justificou o ministro Santos. Pelas contas dos líderes, ceder à emenda do segundo teto, que seria votada na próxima semana, daria ao governo mais uns 30 votos. "Flexibilizar o teto só serve para atender ao pessoal das tetas", confirmou o petista José Genoíno.

FEF - Foi adiada para a próxima semana a votação, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, da admissibilidade da emenda constitucional que prorroga até 1999 o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). A votação ocorrerá na terça-feira (08). O adiamento foi provocado pela oposição que pediu vistas do parecer feito pelo relator, deputado José Luiz Clerot (PMDB-PB).


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