Recife, 03/04/97

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VIOLÊNCIA
Policiais acusados de extorsão, tortura e morte são indiciados

DIADEMA, SP
- Nove dos dez policiais militares acusados de extorquir, torturar e matar moradores da Favela Naval, em Diadema, foram indiciados ontem em oito crimes previstos pelo Código Penal Civil e pelo Código Militar. À exceção do cabo Ricardo Luiz Buzetto, que está foragido, os policiais foram levados ontem ao 2º Distrito Policial de Diadema acompanhados por uma escolta de 30 homens da 2ª Companhia do 24º Batalhão da PM. Duas mil pessoas realizaram um protesto e pediram pena de morte para os acusados.

Acusado de matar Mário José Josino, o soldado Otávio Gambra, conhecido como "Rambo", recusou-se a prestar depoimento ao delegado Mitiaki Yamamoto. Ele jura inocência.

O delegado deve pedir a prisão preventiva dos PMs acusados do assassinato até amanhã. Os acusados tiveram prisão temporária, por cinco dias, decretada anteontem.

Os PMs Rambo e Júlio poderão pegar as penas mais elevadas, respondendo por homicídio duplamente qualificado, formação de quadrilha, abuso de autoridade, extorsão e prevaricação.

Foi decretada ontem a prisão administrativa do tenente-coronel Pedro Pereira Matheus, ex-comandante do 24º Batalhão. Ele foi responsabilizado pela fuga do cabo Buzeto, que delatou os colegas ao ser detido no dia 26 de março. Também será afastado o coronel Coji Yamaguita, do comando do policiamento da zona sul da capital.

CPI - A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou ontem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a violência dos PMs.

Este poderá ser o primeiro caso de crime contra os direitos humanos a ser transferido da Justiça Comum para a Federal. A mudança de competência dependerá da Câmara. Ontem o ministro da Justiça, Nelson Jobim, pediu ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), urgência na votação da proposta.

O promotor Fernando Barone Nucci, do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo, revelou ontem que o Ministério Público vai dar prioridade na apuração dos crimes dolosos praticados pelos PMs.


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