
À
procura da eficiência perdida
por
Sofia Graciano
Editora Executiva
A política
centralizadora das instituições que atuam nas obras de
combate à seca e no fortalecimento da infra-estrutura hídrica,
está virando coisa do passado. Se antes o importante era construir
um número sem fim de açudes, barragens, sem levar em conta
a capacidade de sustentação dessas obras, hoje a estratégia
é atuar em conjunto com os Estados e garantir que a água
chegue abundante.
A trajetória
do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) ilustra a
mudança. Aos 91 anos de atividade, o Dnocs investiu R$ 9 bilhões
em obras de infra-estrutura hídrica, nem sempre bem-sucedidas.
Empreendeu uma verdadeira saga no combate à estiagem e alimentou
de esperança em dias melhores, várias gerações
de nordestinos castigados pela falta dágua. A maioria aguarda
as melhorias.
Se
durante quase um século, o Dnocs se esforçou em espalhar
na região poços, barragens, projetos de irrigação
e açudes de pequeno porte, hoje prioriza a conclusão das
grandes intervenções iniciadas nos últimos anos.
Vai interligá-las ao canal da transposição do São
Francisco, obra que defende como reguladora do volume dágua
dos reservatórios.
Nossas
barragens e açudes serão o pulmão da transposição.
É uma forma de integrar investimentos e levar água a um
número maior de pessoas, justifica o diretor geral da instituição,
Celso Macedo Veiga. O açude do Castanhão, no Ceará,
é um desses pulmões. Com uma capacidade de
armazenamento de 6,7 bilhões de metros cúbicos (m³)
de água, a obra, iniciada em 1995, está 60% concluída.
Em Pernambuco, as intervenções se baseiam num ambicioso
sistema de adutoras e ramais hídricos que devem atravessar o
Sertão e o Agreste, chegando até o Recife.
No
caso das previsões orçamentárias serem cumpridas,
rigorosamente, as obras ficam prontas até 2003. O problema, no
entanto, é o atraso na liberação das verbas. Projetos
que levariam no máximo dois ou três anos para serem construídos,
tornam-se tão lendários quanto o drama da seca.
As
dificuldades forçaram a instituição a adotar uma
postura realista. Hoje os técnicos já admitem que apenas
as obras hídricas não resolvem o problema. É
preciso um melhor gerenciamento do uso da água. A população
também deve se conscientizar que este é um recurso finito
e evitar desperdícios, afirma.
Capitaneada
pela bancada nordestina no Congresso, a reestruturação
é um esforço para garantir a sobrevivência do Dnocs.
No ano passado, depois de rumores sobre a extinção da
autarquia, a Medida Provisória nº 1825 de 30/05/99 determinou
o repasse, num prazo de 120 dias, da administração e controle
da maior parte dos açudes, perímetros irrigados e barragens
para estados e consórcios estaduais.
Um
ano depois, a MP nº 1934-13, determina a extinção
de 12 diretorias, restringe o papel do Dnocs à construção
de obras hídricas, o elegendo como instrumento de apoio à
transposição de bacias.
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