
Em
jogo a geração de energia

por
Etiene Ramos
Especial para o Jornal do Commercio
Os
objetivos da transposição de levar a água do São
Francisco para abastecimento humano e irrigação colidem
com o principal uso do rio: a geração de energia pelo
sistema hidrelétrico da Companhia Hidro Elétrica do São
Francisco (Chesf). Em funcionamento há 52 anos, a Chesf é
responsável pela eletrificação de 90% do Nordeste
ou oito dos nove estados.
O sistema
Chesf gera hoje 50 mil GWh (Gigawatt hora) e, segundo estimativas de
técnicos do setor elétrico, a transposição
média de 53 metros cúbicos por segundo (m³/s) reduziria
a produção de energia em 2,5%. De acordo com o secretário
nacional de Infra-Estrutura Hídrica, do Ministério da
Integração Nacional, Rômulo Macedo, o impacto da
transposição nas usinas da Chesf equivale a uma das termelétricas
em construção no Ceará e no Rio Grande do Norte,
e é inferior aos projetos de irrigação da Chesf.
A Chesf comanda um sistema gerador essencialmente hidráulico
(96%), com capacidade de acumular 56 bilhões de metros cúbicos
de água em seus reservatórios e que dispõe de um
parque gerador de energia com capacidade instalada de 10.704.600 MW
(megawats), produzidos por 14 usinas e duas termelétricas. Com
este sistema, que utiliza também as águas do Rio das Contas
(BA) e do Parnaíba (PI), a Chesf assume o posto de principal
gestor dos recursos hidrícos do Nordeste, regularizando a vazão
e controlando as cheias a partir de quatro grandes barragens - Sobradinho,
Moxotó, Itaparica e Xingó.
Todo
o sistema de geração de energia foi pensado a partir dos
desníveis do Rio São Francisco. Do sonho do então
ministro da Agricultura e Irrigação, Apolônio Sales
que, em 1954, viu entrar em operação a primeira usina
hidrelétrica de Paulo Afonso, na cachoeira de mesmo nome, à
virada do milênio, a Chesf foi a protagonista de grandes mudanças.
Para gerar energia e provar que o Nordeste tinha mercado consumidor,
a autarquia uniu as tecnologias da engenharia civil, hidráulica,
elétrica e ambiental e reconstruiu o curso do São Francisco
à imagem e semelhança dos seus projetos hidrelétricos.
Neste
processo, cidades viraram canteiros de obras e passaram a girar em torno
da Chesf como Paulo Afonso, na Bahia, a pioneira, sede do complexo de
quatro usinas de Paulo Afonso. Outras foram recriadas para abrigar os
moradores das cidades que precisaram ser submersas - como é o
caso de Petrolândia e Itacuruba, em Pernambuco e Rodelas e Chorrochó/Barra
do Tarrachil, na Bahia, envolvidas no projeto Itaparica que une a geração
de energia à irrigação permitindo o cultivo de
várias culturas como cebola, feijão, tomate, melancia
e algodão, além da criação de frangos e
a implantação da piscicultura.
Até
1995, a Companhia concentrou investimentos na geração
de energia. A partir daí, voltou-se para a transmissão,
aplicando R$ 2 bilhões no maior programa de transmissão
de sua história. Ele prevê a construção de
5.400 quilômetros em linhas de transmissão e 8.800 MVA
de transformação.
Segundo o presidente da Chesf, Mozart Campos, essas obras equivalem
a aproximadamente 50% do que já foi construído nos 50
anos de atuação da autarquia. Ainda temos planos
para geração de energia, revela Campos.
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