
Codevasf
defende um projeto de desenvolvimento para o Semi-Árido
A
Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf),
criada em julho de 1974, é uma das pioneiras na irrigação
do Vale. Começamos com a irrigação porque
a meta era desenvolver as áreas próximas às margens
do rio, mas temos consciência que o problema do Semi-Árido
não é só recurso hídrico. É preciso
dar as condições de desenvolvimento e isso não
se consegue construindo um número de barragens sem fim,
alfineta o assessor da presidência da Codevasf, Rui Junqueira,
numa crítica indireta à política de recursos hídricos
adotada durante décadas na região.
Depois
de 26 anos no Vale do São Francisco, a empresa reconhece que
é hora de voltar-se para outras áreas. Entrar mais no
Semi-Árido e chegar a locais como o Vale do Parnaíba,
rio que a exemplo do São Francisco também é perene
(tem água o ano todo). A diretriz faz parte do Projeto Semi-Árido,
um conjunto de propostas que não está organizado em um
documento, não tem rubrica orçamentária mas que
pretende ser um processo contínuo de planejamento de ações
coordenadas para o desenvolvimento da região.
Em bom português, não se pretende fazer apenas projetos
de irrigação vistosos ou construir açudes. Eles
seriam o ponto de partida para a implantação de atividades
econômicas mais adequadas a cada região, interligação
de bacias, captação de linhas de financiamento, capacitação
técnica e pesquisa de novas tecnologias.
Para
Junqueira, não se trata de elaborar um documento e ... missão
cumprida. Isto era o que se fazia e o pior: ainda tem gente fazendo.
Temos que mudar a tecnologia empregada pelo sertanejo. Fazer uma mudança
cultural. Transformar o vaqueiro e agricultor ineficiente no produtor
globalizado, prega. O projeto Semi-Árido propõe
um planejamento de ações multisetoriais que envolvem várias
instituições governamentais, de pesquisa, a iniciativa
privada e instituições de financiamento.
Não
vai ser uma tarefa fácil. Entre as ações englobadas
pelo projeto estão a Ferrovia Transnordestina, a transposição
do Rio São Francisco, e a consolidação dos projetos
de irrigação do Dnocs, que são ineficientes economicamente
porque estão ligados a açudes com baixa oferta de água.
Atividades que pressupõem um grande esforço de coordenação,
jogo de cintura e muita força política para aparar as
arestas que inevitavelmente vão surgir.
Outra
dificuldade é a mudança cultural. O sertanejo habituado
a esperar, mesmo que por gerações, as soluções
do governo será convidado a dar a sua contribuição.
A iniciativa privada também, o que exige um certo poder de convencimento
e garantias de que os investimentos terão retorno.
As
dificuldades não intimidam. Muitas ações apresentadas
fazem parte do Avança Brasil e outras estão com verbas
incluídas no Plano Plurianual até 2003. O que não
quer dizer dinheiro em caixa. Os projetos da Codevasf sofreram uma tesourada
no final de maio, com o contigenciamento do Orçamento Geral da
União (OGU).
O
projeto ainda está no âmbito da Codevasf. Poderia ser coordenado
pela Presidência da República mas não amadureceu
o suficiente. Não sei se precisaríamos de uma rubrica
orçamentária. Bastava que todos os agentes governamentais
tivessem a idéia de trabalhar de forma coordenada e em parceria.
(S.G)
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