Junho 2000


Mundo vive guerra contra a sede

por Etiene Ramos
Especial para o Jornal do Commercio

A água é hoje questão de guerra e paz entre os países. De acordos internacionais como o celebrado entre os Estados Unidos e Canadá, com os Grandes Lagos, ou motivo de disputa entre Israel e Síria que, por causa do Rio Jordão, ampliam sua histórica dissidência. É assunto de estado que leva as nações a pensar em formas integradas de gerir este recurso natural, esgotável e que é fonte de vida, antes de tudo. “Em 2025, metade dos países avançados estarão com problemas de água”, alerta o coordenador nacional do Movimento de Cidadania Pelas Águas, Luiz Carlos Baeta.

Em 1977, a água entrou na pauta de discussões internacionais e originou grupos como o Conselho Mundial da Água, efetivado em 1996, em Marselha, França. O Conselho reúne profissionais da área de Recursos Hídricos de todo o planeta e estabeleceu a Visão Mundial da Água, discutida no Fórum Mundial da Água entre os representantes dos continentes e de organismos preocupados com o desenvolvimento e o gerenciamento dos recursos hídricos no mundo. Não por acaso, o Fórum é presidido pelo vice-presidente do Banco Mundial (Bird), Ismail Serageldin. O Bird, agente financiador de grandes obras de recursos hídricos, incentiva as políticas de gerenciamento participativo, envolvendo usuários, técnicos e políticos.
A água ganha cada vez mais importância através de mobilizações de massa e campanhas de conscientização para alertar os povos e os políticos sobre as condições frágeis dos recursos hídricos mundiais. O mundo tem reconhecido que a garantia do sustento, economias fortes e sistemas ecológicos sustentáveis dependem da disponibilidade de água.

Em março deste ano, no II Fórum Mundial das Águas, realizado em Haia, na Holanda, foi definido o Modelo de Ação para atingir a Visão Mundial da Água, inspirado em várias convenções sobre água, ratificadas internacionalmente. O modelo tem como meta garantir a segurança da água a partir da definição do termo ‘água segura’ que pode ser considerada nos níveis local, nacional e regional. A implantação, em 75% dos países, até 2005, de políticas e estratégias abrangentes para manejo integrado de recursos hídricos foi um dos indicadores globais definidos para enfrentar o desafio de encontrar o equilíbrio entre a proteção dos recursos hídricos.

De acordo com Antonio Carlos Figueiredo, diretor do Instituto Cidade, uma Organização Não Governamental de Belo Horizonte que promove a mobilização social em torno dos recursos hídricos, a Visão Mundial da Água aponta dois cenários: um de crise onde 20% da população do mundo chegarão a 2025 sem acesso à água tratada, devido ao aumento populacional e à poluição provocada pela expansão econômica dissociada da preservação ambiental. O outro cenário, é o da Visão Sustentável da Água, onde ela é priorizada e administrada com a participação dos usuários, governos e a sociedade e enxergada, pelo poder econômico, como um recurso escasso, com valor.

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