
Mundo
vive guerra contra a sede

por
Etiene Ramos
Especial para o Jornal do Commercio
A água
é hoje questão de guerra e paz entre os países.
De acordos internacionais como o celebrado entre os Estados Unidos e
Canadá, com os Grandes Lagos, ou motivo de disputa entre Israel
e Síria que, por causa do Rio Jordão, ampliam sua histórica
dissidência. É assunto de estado que leva as nações
a pensar em formas integradas de gerir este recurso natural, esgotável
e que é fonte de vida, antes de tudo. Em 2025, metade dos
países avançados estarão com problemas de água,
alerta o coordenador nacional do Movimento de Cidadania Pelas Águas,
Luiz Carlos Baeta.
Em
1977, a água entrou na pauta de discussões internacionais
e originou grupos como o Conselho Mundial da Água, efetivado
em 1996, em Marselha, França. O Conselho reúne profissionais
da área de Recursos Hídricos de todo o planeta e estabeleceu
a Visão Mundial da Água, discutida no Fórum Mundial
da Água entre os representantes dos continentes e de organismos
preocupados com o desenvolvimento e o gerenciamento dos recursos hídricos
no mundo. Não por acaso, o Fórum é presidido pelo
vice-presidente do Banco Mundial (Bird), Ismail Serageldin. O Bird,
agente financiador de grandes obras de recursos hídricos, incentiva
as políticas de gerenciamento participativo, envolvendo usuários,
técnicos e políticos.
A água ganha cada vez mais importância através de
mobilizações de massa e campanhas de conscientização
para alertar os povos e os políticos sobre as condições
frágeis dos recursos hídricos mundiais. O mundo tem reconhecido
que a garantia do sustento, economias fortes e sistemas ecológicos
sustentáveis dependem da disponibilidade de água.
Em
março deste ano, no II Fórum Mundial das Águas,
realizado em Haia, na Holanda, foi definido o Modelo de Ação
para atingir a Visão Mundial da Água, inspirado em várias
convenções sobre água, ratificadas internacionalmente.
O modelo tem como meta garantir a segurança da água a
partir da definição do termo água segura
que pode ser considerada nos níveis local, nacional e regional.
A implantação, em 75% dos países, até 2005,
de políticas e estratégias abrangentes para manejo integrado
de recursos hídricos foi um dos indicadores globais definidos
para enfrentar o desafio de encontrar o equilíbrio entre a proteção
dos recursos hídricos.
De
acordo com Antonio Carlos Figueiredo, diretor do Instituto Cidade, uma
Organização Não Governamental de Belo Horizonte
que promove a mobilização social em torno dos recursos
hídricos, a Visão Mundial da Água aponta dois cenários:
um de crise onde 20% da população do mundo chegarão
a 2025 sem acesso à água tratada, devido ao aumento populacional
e à poluição provocada pela expansão econômica
dissociada da preservação ambiental. O outro cenário,
é o da Visão Sustentável da Água, onde ela
é priorizada e administrada com a participação
dos usuários, governos e a sociedade e enxergada, pelo poder
econômico, como um recurso escasso, com valor.
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