
Estados
preparam venda das companhias de abastecimento
Ao
mesmo tempo em que ampliam a luta para aumentar a oferta dágua,
os estados nordestinos começam a planejar a privatização
de suas companhias de abastecimento e saneamento. Ao contrário
das energéticas, a venda desses ativos não objetiva propriamente
o lucro, mas a identificação de compradores dispostos
a investir alto na melhoria da rede de abastecimento, caótica
na maior parte da região.
Outra
característica muito própria desse processo é que
a concessão nem sempre vai estar sob controle total dos estados.
Muitos municípios nordestinos têm autonomia sobre os serviços.
Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, foi sancionado um Projeto
de Lei que garante a administração do uso da água
no município. Como a cidade é a maior fonte de receita
da Companhia de Águas e Esgotos (Caern), isso pode atrapalhar
a privatização da empresa, atualmente em estudo.
Três cidades Parnamirim, Natal e Mossoró
são responsáveis pelo grosso do faturamento da Caern.
Em outras, com poucas ligações, o sistema é deficitário.
Para evitar que as cidades menores sejam relegadas a segundo plano com
a privatização, o governo pretende vender a empresa de
uma única vez.
A
Caern atende 139 das 166 cidades do Estado. O governo está contratando
uma consultoria para elaborar o diagnóstico econômico-financeiro
da estatal. Depois do diagnóstico o governo decide se privatiza
ou não a Caern, anuncia o secretário de Planejamento,
Lindolfo Sales. Sistemas deficitários de distribuição,
necessidade de enxugamento da folha de pessoal, além de uma dívida
superior a R$ 100 milhões, figuram entre as justificativas de
uma provável privatização.
Como estatal, a empresa mantém seu caráter social investindo
em obras sem retorno financeiro. Por conta disso, a tarifa não
cobre os custos de distribuição de água em muitas
localidades, o que exige a injeção de recursos para equilibrar
o caixa. As contas da Caern também não estão em
dia. Só à Companhia Energética do Rio Grande do
Norte (Cosern), são pagos R$ 1,4 milhão mensais de energia.
A
Companhia Pernambucana de Abastecimento e Saneamento (Compesa) está
na mira de grupos da França, Inglaterra, Portugal e Estados Unidos.
A empresa, que teve seu patrimônio reforçado com investimentos
da ordem de R$ 138 milhões no atual governo, deve ser privatizada
no próximo ano, sob a coordenação do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O processo
está sendo conduzido com cautela, devido ao tipo de insumo (a
água) usado pela empresa, afirma o vice-governador de Pernambuco
e presidente da Comissão Estadual de Desestatização,
José Mendonça Filho. Segundo ele, o BNDES já licitou
a contratação dos consultores responsáveis pelos
serviços A e B, que irão definir a modelagem, a avaliação
do patrimônio e o preço mínimo da Compesa. A previsão
é que os estudos estejam concluídos em dezembro deste
ano.
Segundo
o vice-governador, o preço mínimo da Companhia dependerá
dos compromissos de investimentos propostos pelos interessados, visando
a ampliação do abastecimento dágua e do saneamento
no Estado. Este é o requisito principal. A privatização
só será levada adiante se for algo que irá melhorar
o atendimento com tarifas adequadas à população,
garante Mendonça Filho. A rede de abastecimento dágua
cobre hoje 90% do Estado e a de esgoto, 10%. Na Região Metropolitana
do Recife a cobertura de esgoto é de 16% e na capital, o Recife,
de 27%. Petrolina, no Sertão do São Francisco, é
a cidade mais saneada de Pernambuco com um índice de 90%.
Com a maior parte do subsolo cristalino e poucas reservas de água
subterrânea, Pernambuco tem seu abastecimento predominantemente
feito por barragens de mananciais intermunicipais. Esta característica
permite que o futuro comprador da Compesa possa atender a vários
municípios, o que valoriza a empresa.
O
Governo do Estado pretende administrar a privatizaçao em sintonia
com os municípios, considerando a Legislação das
Águas, a Constituição Federal e a autonomia para
a criação de sistemas próprios de abastecimento
e saneamento, prevista pela Compesa, diz Mendonça Filho.
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