
“Obra
é a redenção do Nordeste”
por
Marcos Peixoto e Mozarli Almeida
do Diário do Nordeste
A demora
na execução das obras da transposição do
Rio São Francisco ratifica a discriminação absurda
do Governo Federal com o Nordeste, forçado por lideranças
do Sul e Sudeste. A opinião é do presidente da Assembléia
Legislativa do Ceará, Wellington Landim (PSDB).
Coordenador
regional do Movimento PróTransposição, o
deputado tucano lembra que na primeira campanha para a presidência,
em 1994, Fernando Henrique Cardoso se comprometeu com o projeto. Na
segunda campanha de FHC, o deputado voltou à carga e entregou
vasta documentação sobre a transposição.
Ele se comprometeu novamente mas até agora não cumpriu,
critica Landim.
Para Landim, a obra é, de fato, a redenção do Nordeste.
Não há outra alternativa para minimizar os problemas
dos nordestinos, afetados pelas chuvas irregulares e escassez de recursos
hídricos. Com a transposição, o Ceará
espera reforçar a oferta de água nos projetos de irrigação
e melhorar o abastecimento.
A
crise futura no abastecimento de água em Fortaleza precisa ser
solucionada por esse viés e não há outra alternativa
de abastecimento dágua para a cidade, diz o engenheiro
civil Cássio Borges. O Açude de Orós, o maior açude
do Ceará, com capacidade para acumular 1,9 bilhão de metros
cúbicos de água, é um dos mananciais que vão
receber água do São Francisco. O Orós está
com 52,1% de sua capacidade e abastece praticamente toda região
do Vale do Jaguaribe, em uma área de 18 mil hectares irrigados.
Como pereniza o Rio Jaguaribe é também fundamental para
o abastecimento de Fortaleza, que recebe as águas do Jaguaribe,
via Canal do Trabalhador.
Na
opinião de Borges, os governantes e parlamentares baianos têm
motivos para reclamar não da retirada de 70 metros cúbicos
por segundo (m³/s) do Rio São Francisco, mas sim do Governo
Federal não ter construído até hoje as três
barragens que triplicariam o atual potencial hídrico do rio.
Elas poderiam ser construídas nos afluentes Paracatu, Urucuia
e das Velhas, localizados em Minas Gerais, em lugares de clima e geologia
propícios, segundo Borges.
O
deputado federal Roberto Pessoa (PFL) defende que a obra fique a cargo
do Batalhão de Engenharia do Exército, para que não
hajam suspeitas de favorecimento de empreiteiras. O que poderia criar
pendências judiciais e provocar o embargo da construção.
O exército é uma instituição respeitada.
Isso dispensaria licitação, baixaria custos e agilizaria
os trabalhos, frisa Pessoa. Ele sugere que a administração
dos serviços fique com o Departamento Nacional de Obras Contra
as Secas (Dnocs) - que administra a bacia receptora - e a Companhia
de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), responsável
pela bacia doadora.
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