Junho 2000


“Obra é a redenção do Nordeste”

por Marcos Peixoto e Mozarli Almeida
do Diário do Nordeste

A demora na execução das obras da transposição do Rio São Francisco ratifica a discriminação absurda do Governo Federal com o Nordeste, forçado por lideranças do Sul e Sudeste. A opinião é do presidente da Assembléia Legislativa do Ceará, Wellington Landim (PSDB).

Coordenador regional do Movimento Pró–Transposição, o deputado tucano lembra que na primeira campanha para a presidência, em 1994, Fernando Henrique Cardoso se comprometeu com o projeto. Na segunda campanha de FHC, o deputado voltou à carga e entregou vasta documentação sobre a transposição. “Ele se comprometeu novamente mas até agora não cumpriu”, critica Landim.
Para Landim, a obra é, de fato, a redenção do Nordeste. “Não há outra alternativa para minimizar os problemas dos nordestinos, afetados pelas chuvas irregulares e escassez de recursos hídricos”. Com a transposição, o Ceará espera reforçar a oferta de água nos projetos de irrigação e melhorar o abastecimento.

“A crise futura no abastecimento de água em Fortaleza precisa ser solucionada por esse viés e não há outra alternativa de abastecimento d’água para a cidade”, diz o engenheiro civil Cássio Borges. O Açude de Orós, o maior açude do Ceará, com capacidade para acumular 1,9 bilhão de metros cúbicos de água, é um dos mananciais que vão receber água do São Francisco. O Orós está com 52,1% de sua capacidade e abastece praticamente toda região do Vale do Jaguaribe, em uma área de 18 mil hectares irrigados. Como pereniza o Rio Jaguaribe é também fundamental para o abastecimento de Fortaleza, que recebe as águas do Jaguaribe, via Canal do Trabalhador.

Na opinião de Borges, os governantes e parlamentares baianos têm motivos para reclamar não da retirada de 70 metros cúbicos por segundo (m³/s) do Rio São Francisco, mas sim do Governo Federal não ter construído até hoje as três barragens que triplicariam o atual potencial hídrico do rio. Elas poderiam ser construídas nos afluentes Paracatu, Urucuia e das Velhas, localizados em Minas Gerais, em lugares de clima e geologia propícios, segundo Borges.

O deputado federal Roberto Pessoa (PFL) defende que a obra fique a cargo do Batalhão de Engenharia do Exército, para que não hajam suspeitas de favorecimento de empreiteiras. O que poderia criar pendências judiciais e provocar o embargo da construção. “O exército é uma instituição respeitada. Isso dispensaria licitação, baixaria custos e agilizaria os trabalhos”, frisa Pessoa. Ele sugere que a administração dos serviços fique com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) - que administra a bacia receptora - e a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), responsável pela bacia doadora.

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