Outubro 2000

 


Criação de subsidiárias foi a alternativa

O abismo econômico existente entre o Nordeste e o Centro-Sul e cuja tendência de agravamento firmou-se desde o final do século 19 foi o grande desafio a ser vencido pela Sudene a partir dos anos 60. Carente de infra-estrutura básica, a Região mantinha baixíssimos níveis sociais, econômicos e tecnológicos, o que a tornava muito pouco atraente para a atividade industrial. Era necessário dotá-la de energia elétrica, rede de abastecimento de água, saneamento básico, rodovias e, sobretudo, incentivos fiscais capazes de despertar o interesse dos empresários.

Seguindo esta linha, a Sudene elaborou estratégias de desenvolvimento dando ênfase à exploração dos recursos naturais, industrialização, agricultura, recursos humanos, matriz energética e malha viária. O caminho escolhido foi a criação de empresas de economia mista, subsidiárias da autarquia.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento Econômico da Sudene, José Antônio Gonçalves, já em 1962 a autarquia criou a Companhia de Eletrificação Rural do Nordeste (Cerne) e a Companhia Hidrelétrica da Boa Esperança (Cohebe). Estas empresas abriram caminho para uma série de outras companhias elétricas, reduzindo os contrastes existentes dentro da própria Região. “A Cohebe foi responsável por um significativo aporte de energias aos estados do Piauí e Maranhão, que na época apresentavam um grande déficit. Esta empresa foi incorporada pela Chesf alguns anos mais tarde”, explica.

José Gonçalves acrescenta que em relação às questões hídricas e ao abastecimento de água, a autarquia instituiu duas empresas. Também em 1962 criou a Companhia de Água e Esgotos do Nordeste (Caene), responsável pela melhoria da distribuição de água tratada, assim como pela ampliação da rede de esgotos sanitários em diversas localidade. Posteriormente foi implantada a Companhia Nordestina de Poços, empresa que mudaria da face de alguns municípios do Semi-Árido, facilitando o acesso do sertanejo à água e, conseqüentemente, à uma melhor condição de vida.

Como parte de política logística de distribuição de alimentos, a Sudene criou a Central de Abastecimento do Nordeste S.A. (Canesa) e a Empresa de Pesca do Nordeste S.A. (Penesa), além do Fundo de Emergência e Abastecimento do Nordeste (Feane). Destinada a racionalizar a cadeia de comercialização dos produtos agrícolas, a Canesa deu origem as atuais Ceasas, imprimindo um novo impulso à produção de hortaliças, principalmente no entorno das Regiões Metropolitanas.

Voltada para a expansão das unidades públicas frigoríficas e produtoras de gelo e para a adequação dos portos ao recebimento do pescado, a Penesa preocupou-se, ainda, com a promoção de pesquisas e preparação técnica de pessoal, além da criação de incentivos à atividade. A Empresa de Pesca do Nordeste, deu à atividade pesqueira na Região um caráter mais dinâmico, dotando-a de novas técnicas de conservação, beneficiamento e aproveitamento integral do produto oriundo da pesca e da piscicultura.

Tabém são fruto da atuação da Sudene, o Fundo de Pesquisa de Recursos Naturais (Furene), que identificou a riqueza mineral da Região; a Artesanato do Nordeste S.A. (Artene), de grande importância social por possibilitar uma maior geração de renda para as famílias que viviam do artesanato; a Usina Siderúrgica da Bahia e o Programa de Colonização do Maranhão (Colone). Este último, inserido na política de ampliação das fronteiras agrícolas regionais, aumentou a produção de alimentos, abastecendo boa parte do mercado regional.

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