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Originalidade
do caboclinho é fruto da mistura cultural
O estivador
Antônio da Costa incorporava, nas sessões de jurema,
o espírito do índio Carijó. Certa vez, recebeu
dele uma ordem para fundar um grupo que desfilasse durante o carnaval,
vestido a caráter. Nascia, desse modo, a tribo dos Carijós
no carnaval pernambucano, que desfilou pela cidade em 1897, pela
primeira vez. Isso é o que a história oral conta sobre
a origem das tribos de caboclinhos, outro expoente da tradição
momesca de Pernambuco.
As sessões de jurema eram uma das partes da celebração
religiosa indígena, quando pajés e mestres de catimbó
ingeriam uma infusão feita com galhos e raíses da
erva chamada jurema preta. O costume, já existente no século
18, era tido por muitos como feitiçaria. Os poderes alucinógenos
da jurema foram temas de estudo para vários químicos
do Estado na década de 40. Entre os sintomas anotados nas
pesquisas, taquicardia, dificuldade de respiração
e aumento da percepção auditiva.
Os principais grupos de caboclinhos datam do final do século
19. Entre eles, destaque para Carijós (1896), Canindés
(1897), Tupinambás (1906), Taperaguases (1916), Tabaiares
(1937), Tupi (1938), Tabajaras (1956), Tapirapés (1957),
Sete flechas (1969). O desfile das tribos é, em sua maioria,
aberto pelo porta-estandarte, seguido por dois cordões de
índias. O cacique e a cacica, chamados de rei e rainha nos
grupos mais ricos, vêm na seqüência, apresentando
a narrativa - normalmente um combate entre tribos inimigas - e conduzindo
a coreografia dos caboclos. Às vezes, pajés e crianças
também fazem parte do cortejo. Todos desfilam descalços.
As roupas dos caboclos são feitas de penas de ema, tanto
os cocares e as tangas quanto as atacas, utilizadas para adornar
os pulsos e os tornozelos. Os rostos são pintados com urucum.
Para completar a fantasia, todos eles carregam machadinhas e preacas,
um conjunto de madeira formado por arco e flecha, que faz a marcação
da dança. Os caboclos de baque formam a orquestra da tribo:
flauta, tarol, surdos e chocalhos são os instrumentos executados.
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