Passista de frevo

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Nada mais característico do carnaval pernambucano do que o frevo. Nascido no final do século XIX, o ritmo era chamado, inicialmente, de "marcha nortista" ou "marcha pernambucana". Capoeiristas abriam o desfile do cortejo, gingando e trocando rasteiras - o que evoluiu para os atuais passos de frevo. A sombrinha também é antiga: os passistas utilizavam-na como arma de defesa.

A princípio calmo, o frevo era sustentado pelo toque do tarol e do tambor surdo. Na primeira década do século 20, a coreografia transformou - e acelerou - o ritmo, que saiu das ruas e passou a freqüentar os bailes dos clubes, embalado por uma orquestra de percussão e sopro. A lenda conta que o nome da dança vem da idéia de "fervura": a multidão ferve quando ouve a orquestra e coloca a sombrinha no ar.

As músicas ganharam letra e deram início ao frevo canção. Francisco Alves foi o responsável pela primeira gravação de um frevo batizado como tal, em 1930, quando registrou Frevo Pernambucano. Vários outros nomes da época de ouro do rádio gravaram frevos, como Carlos Galhardo, Linda Batista, Dircinha Batista e Nelson Gonçalves, disseminando a música pelo país.

Evocação nº 1, de Nelson Ferreira, gravada pelo bloco Batutas de São José em 1957, foi a sensação do carnaval carioca, mais do que as já tradicionais marchinhas e o samba. Além de Ferreira, a gravadora pernambucana Mocambo imortalizou a obra de outro pernambucano, Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba, que teve seus discos gravados na empresa.

São diversos os tipos de frevo. O de rua é somente instrumental e as variações no peso dos instrumentos de sopro na composição do arranjo estabelece outras subdivisões. O frevo de bloco tem origem nas serenatas e sua orquestra, a princípio, era formada somente por instrumentos de pau e corda. Atualmente, os sopros e um coral feminino completam o gênero.

Por fim, o frevo-canção começa com uma parte instrumental introdutória, é seguido por uma letra e finalizado com refrões. Diferente de outras tradições do carnaval, o frevo não possui uma vestimenta particular. A única exigência é a sombrinha, que auxilia no desenvolvimento dos passos, fazendo-os também mais bonitos. O pequeno guarda-sol, com cerca de 50 cm de diâmetro, virou sinônimo de frevo.

Ouça mais:
É de fazer chorar Luiz Bandeira 118 KB
Elefante de Olinda Clídio Nigro / Clóvis Vieira 158 KB
Energia Lula Queiroga 105 KB
Esquenta mulher Nelson Ferreira 137 KB
Fogão Sérgio Lisboa 154 KB
Hino da Troça Milton B. Alencar 158 KB
Três da tarde Lídio 135 KB
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