| |

Nossa
Senhora do Rosário e São Benedito eram os protetores
dos reis e rainhas negros que vinham ao Brasil organizar a população
escrava trazida pelos colonizadores portugueses. Os cortejos preparados
para cultuar esses monarcas são o princípio do que
hoje é conhecido como maracatu. A abolição
da escravatura - e o conseqüente fim da instituição
do rei do Congo - transferiu os festejos para os dias de Reis e
para o Carnaval. Existem dois tipos de maracatu: o de baque virado
(ou nação), típico das áreas urbanas,
e o de baque solto, tradicional da zona rural.
O luxo hoje exibido nas escolas de samba nasceu nos desfiles do
maracatu nação
: o estandarte era de veludo bordado a ouro, assim como as roupas
dos reis e de outros membros da corte. Entre os grupo mais antigos
de Pernambuco, destaque para o Nação Elefante (de
1800), Leão Coroado (1863), Estrela Brilhante (1910), Indiano
(1949) e Porto Rico do Oriente (1967).
A
calunga, boneca utilizada nos cortejos, é a representação
dos orixás. O tirador de loas canta a toada, cujos refrões
são acompanhados por todos os que estão desfilando.
A percussão é a essência do ritmo: caixa, gonguê
e tarol seguem a marcação dos baques dos zabumbas.

No
maracatu de baque
solto não existem as figuras do rei e da rainha. O grande
elemento desse tipo de manifestação é o caboclo
de lança: a gola adornada com lantejoulas e a grande cabeleira
de papel celofane são as características da personagem,
que também carrega o surrão, uma espécie de
bolsa - feita de couro de carneiro - onde são amarrados os
chocalhos.
Esses
instrumentos dão o traço sonoro
que identifica um grupo de maracatu rural. Para ver a história
passar na sua frente, nada melhor que assistir aos desfiles dos
grupos mais antigos, a exemplo do Cruzeiro do Forte (1929), Águia
de Ouro (1933), Leão da Aldeia (1935), Cambinda Estrela (1935),
Estrela da Tarde (1942) e Estrela de Ouro (1963).
O ritmo fez a festa da MPB: Dorival Caymmi, Jorge Benjor, Gilberto
Gil e Alceu Valença têm em seus currículos maracatus
- ou citações ao ritmo - , mostrando para todo o País
o som ensurdecedor dos tambores. Nação Zumbi, Mestre
Ambrósio e Lenine, hoje em dia, contribuem para a continuidade
da propagação do gênero.
O encontro de maracatus já virou tradição no
carnaval. Na Cidade Tabajara, em Olinda, inúmeros grupos
de maracatu rural do Grande Recife e (principalmente) da Zona da
Mata se reúnem no espaço Ilumiara Zumbi para honrar
as tradições folclóricas a que estão
ligados. Desde 1991, o público pode apreciar a beleza dos
caboclos de lança, com suas roupas pesadas e coloridas, carregadas
de história e simbolismo.
Ouça mais: |
|
|
Para
ouvir, você precisa do Windows Media Player.
Faça o download aqui
|
|
|