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Sagrado
e profano misturam-se
e dão origem ao carnaval

Dia do Entrudo, de Jean Baptiste Debret
Carnaval.
Do latim, "carnem levare" ou "carnelevarium".
No bom e velho português, "tirar a carne". Para
os cristãos ortodoxos, tempo de abstenção de
carne em memória do Cristo. Para os foliões de plantão,
são quatro dias de fantasia, batuques, paquera e afins, longe
do rigor da censura. Quase como se o sinônimo para 'carnaval'
fosse 'vale tudo'.
A origem
da festa, como a conhecemos hoje, tem um pé no sagrado, outro
no profano e chega a ser tão antiga quanto a própria
humanidade. Os historiadores falam em eventos populares parecidos
no Mundo Antigo, especialmente no Egito, Grécia e Roma. Nesses
dois últimos países, o nosso carnaval parece ter ido
pegar inspiração no culto ao deus Dionísio
(ou Baco, para os romanos), conhecido como deus do vinho, da alegria
desmedida e da liberdade erótica.
Na
Idade Medieval, o período das festas profanas começava
na noite dos Reis Magos (6 de janeiro) e se estendia até
a quarta-feira de cinzas. Em Portugal, como na Espanha, a comemoração
chamava-se entrudo. Um verdadeiro mela-mela visceral. "Todos
com casaca de seda a escorrer ovos, a cara empastada de sangue e
lama, cobertos das maiores imundices e dos mais sórdidos
desejos, corriam as ruas debaixo da saraivada dos pós de
panelas, das laranjas de cheiro, da farinha, dos esguichos, dos
ovos de gema, de toda água que jorrava das rótulas
estreitas e dos postigos mouriscos...", enumera o redator Julio
Dantas, num artigo de 1909, publicado na Gazeta de Notícias.
Quando
os navegadores ibéricos aportaram na costa brasileira, no
século XVII, e começaram a trazer negros escravizados
junto à sua bagagem, terminaram introduzindo nas "terras
que, em se plantando, tudo dá" (como bem descreveu Pero
Vaz de Caminha) um novo costume: o carnaval, combinação
do festival católico-romano com as celebrações
exuberantes dos ancestrais africanos, transformou-se numa tradição
viva entre a população brasileira.
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