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Recife, 03/04/97
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CRIME
Polícia prende travesti acusado de
homicídios
O travesti José Roberto da Silva ("Beto Doido"),
24 anos, apontado como o "terror" da Avenida
Mário Melo, em Santo Amaro, foi preso por
policiais da delegacia de Homicídios. Ele
confessou a autoria de um assassinato e de oito
lesões corporais. A maioria das vítimas são
travestis que se prostituem naquela avenida. A
polícia conseguiu prender o acusado, na última
segunda-feira, depois de descobrir que estava
internado no Hospital Agamenon Magalhães com
suspeita de Aids.
Segundo o delegado de Homicídios, Antônio
Cavendish, José Roberto assassinou o vigilante
João Giovani Cunha, 34 anos, com golpes de
facão na cabeça e nas costas, na Avenida Mário
Melo, no dia 20 de março passado. Ele teve
parte de uma orelha decepada, que foi
encontrada pelos policiais dentro de um vidro
com álcool na residência do acusado, no Alto
Santa Terezinha, em Água Fria.
De acordo com o comissário Francisco Dias,
"Beto Doido" vinha agindo na área há pouco
mais de um ano. "Ele costumava se drogar antes
de consumar os crimes, geralmente cometidos
sem qualquer motivo", observou.
Na mesma data da morte do vigilante, José
Roberto também admitiu ter dado 15 punhaladas
num travesti conhecido como "Cangaia", que
passou cinco dias internado no Hospital da
Restauração (HR). Ele já recebeu alta e será
convocado a prestar depoimento.
O travesti José Jovelino de Oliveira Filho
("Bruna"), 21, acusou "Beto Doido" de golpeá-lo
com um facão nas costas, no peito direito e na
cabeça. "Ele me agrediu simplesmente porque
não ia com a minha cara", contou, acrescentando
que ficou com problemas renais e ainda sente
dores na cabeça. "Tive parte do crânio exposto",
detalhou.
Evandro de Carvalho Júnior ("Kátia Flávia"), 19,
disse ter sido obrigado a deixar que José
Roberto lhe cortasse os cabelos, sob ameaça de
deformá-lo com golpes de tesoura. "Ele ainda me
assaltou e me deixou na rua apenas de calcinhas",
contou.
Outras vítimas foram os travestis "Monique"
(teria perdido um olho); "Sabrina", que teve os
cabelos cortados com um facão; "Ruth",
assaltado e espancado; um não-identificado, que
teria tido uma prótese de silicone do peito
arrancada. "Mas temos certeza de que ele fez
mais vítimas", admitiu Gilberto Barbosa da Silva
(Ruth).
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