| LANCE LIVRE
Recife, 03/04/97
Fernando Menezes
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Onde estão os alvirrubros?
Creio que já passa da hora dos alvirrubros, os
verdadeiros torcedores, sim porque conselheiro e
diretor são apenas cargos, honrarias, o que está
no coração, a qualificação primeira e eterna é a
de torcedor, tomar conta do clube. O Náutico é
maior do que a crise que enfrenta. A tradição
esportiva não só de Pernambuco mas de toda a
região corre perigo de mutilação. Quando se diz
que o clube pode fechar as portas, embora isso
pareça um absurdo, não se trata de histeria.
Claro que a imagem é forte, fechar as portas não
quer dizer não entra mais ninguém nos Aflitos.
Quer dizer encerrar as atividades do futebol,
carro chefe de quase todos os clubes esportivos
do Brasil. O que restaria então? Natação, vôlei,
basquete e futsal. Apesar da diversidade das
modalidades, é muito pouco para manter a
torcida unida e frequentando o clube. Sem o
futebol o choque inicial seria tão forte que aí sim,
seria capaz de encerrar todas as demais
atividades a curto prazo. Então, já passa da hora
dos verdadeiros torcedores tomarem conta do
Náutico. Lamentar não resolve nada. É preciso
colocar urnas e pedir, isso mesmo, pedir aos
torcedores nem que seja 1 real a cada semana, a
questão é de motivar a torcida. Se o time é fraco,
e sabemos que é mesmo fraco, a causa está na
penúria de recursos. É preciso manter este
elenco para atravessar a crise, mas todos juntos.
Agora, com os sócios em atraso, os donos de
cadeiras sem pagar suas taxas e o torcedor se
negando a comparecer aos jogos, francamente, é
impossível sair do buraco! O Náutico faz um
bom tempo que vive sob a proteção de três
mecenas, que a política interna tornou
desavindos. Quando eles se afastaram a casa
ameaçou desabar e a cada dia este perigo é
maior. Está na hora de não esperar apenas pela
boa vontade dos mecenas, a hora é de congregar
todos, eles e os pobres, o torcedor de cinco
reais, a cada domingo. Lamentar e não fazer
nada vai acabar destruindo um grande patrimônio
cultural e esportivo.
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