| PINGA-FOGO
Recife, 03/04/97
Inaldo Sampaio
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A comprovação dos excessos
Sexta (28), esta coluna tocou num ponto para o
qual outras pessoas também voltaram suas
atenções: os excessos da CPI. Dois dias depois,
"O Globo" estampou na 1ª página: "Excessos
podem tornar inócua a CPI". E acrescentou:
"Ministros do STF alertam que são ilegais alguns
procedimentos adotados pela CPI. Seus
integrantes transformaram testemunhas em réus,
não deixam seus advogados se manifestarem e
ordenam batidas em bancos e corretoras sem
mandados judiciais. Provas obtidas assim
poderão ser desqualificadas nos tribunais". No
mesmo dia, escreveu Marcelo Pontes,
editor-chefe do "Jornal do Brasil". Depois de
indagar "Cadê os ladrões?", na sua coluna
dominical, ele prosseguiu: "Basta a curiosidade
de um estagiário de Direito para concluir que,
tecnicamente, esse escândalo se transformou
numa reles fofoca nacional. Concretamente, além
das reputações que demoliu, a CPI até agora só
produziu como prova concreta do crime uma
gigantesca agenda telefônica". Daí se explica a
intervenção de ACM para tentar pôr ordem na
casa. Quem quiser conhecer a fundo a rede de
intrigas que predomina na CPI dos Títulos
Públicos leia a revista "Carta Capital"
(reportagem de Bob Fernandes). Num dos
trechos, Tuma reclama a Bernardo Cabral,
presidente da CPI: "A informação secreta que
você me passou saiu há três horas no telejornal
da tarde".
Fofocas dos bastidores
De Roberto Requião, segundo a mesma
reportagem: "Tô bem na Globo. O João Roberto
(filho de Roberto Marinho) tá me botando no ar
seis vezes ao dia". Já o senador Gilberto Miranda
(PMDB-AM) foi muito mais explícito do que o
colega: "Isso aqui tá cheio de ladrões. Se vierem
pra cima de mim, arrebento todo mundo".
Tucano ambulante
Próxima segunda, dia 7, o presidente regional do
PSDB, deputado Luiz Phiauylino (foto), vai levar
seu "escritório itinerante" para a Assembléia
Legislativa (gabinete de Garibaldi Gurgel). Após
este encontro, o dirigente tucano fará visitas a
três municípios: Caruaru, Belo Jardim e Santa
Cruz do Capibaribe.
Apelo dramático
Ao receber em seu gabinete os vereadores que
lhe dão apoio na Câmara Municipal do Recife,
aos quais solicitou respaldo para privatizar a
CTU, o prefeito Roberto Magalhães (PFL) foi
direto ao assunto: "Eu sempre fui firme nas
minhas posições quando me convenço de que
elas são corretas. Por isso, briguei com legendas
(PFL, PTB e PSDB) e até troquei de partido".
Rio semimorto
O vereador Roberto Andrade (PFL) levou a
debate, ontem, na Câmara Municipal do Recife,
um tema de grande importância para o futuro
desta cidade: a poluição do Capibaribe. Depois
de citar Manoel Corrêia de Andrade e Antonio
Baltar, ele declarou, emocionado: "Quero que
este discurso tenha um caráter de manifesto. Não
deixem, por favor, o Capibaribe morrer!".
Calote oficial
Mão Santa abriu o programa de demissões
voluntárias no Estado do Piauí. Da 1ª etapa, 6
mil se inscreveram e foram indenizados. Da 2ª,
ninguém viu ainda a cor do contracheque.
Só coincidência
Sorte do coronel Antonio Menezes: enquanto a
PM de São Paulo estava sentada ontem no
banco dos réus, a de Pernambuco se reunia com
grupos de defesa dos direitos humanos.
Dívida
Nílson Gíbson (PSB) fez discurso na Câmara
Federal para tratar de um tema polêmico: o
déficit público. Para ele, é impossível conciliar
por muito tempo déficit público com inflação
baixa. "Ou cai o déficit ou sobe a inflação", disse
ele, traçando um futuro pouco promissor para as
finanças do Brasil.
Cores
Em tese, a juíza de Salgueiro, Dilza Christine,
deve ter-se baseado na Constituição (princípio
da "impesoalidade" da administração pública)
para proibir que o prefeito Paulo Afonso
Sampaio (PFL) pinte os prédios públicos do
município com as mesmas cores de sua
campanha de 96: azul e amarelo.
É o desespero!
Do líder na Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL),
sobre a ameaça do presidente da República de
demitir 50 mil servidores públicos, não
concursados, caso o Congresso não aprove a
reforma constitucional da emenda administrativa:
"Foi um grito de desespero de alguém que está
aborrecido pelo descontrole das contas
públicas".
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