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01-08-2000
Como
a radiação de microondas afeta os seres vivos
O Laboratório de Comunicações (Labcom) do Departamento de Engenharia
Elétrica da Universidade Federal da Paraíba concluiu uma pesquisa
sobre os efeitos da radiação de microondas em seres vivos. O experimento,
que utilizou a espécie "Rattus norvegicus" como cobaia,
foi realizada por uma equipe de pesquisadores que incluiu os professores
Paulo Alberto de Lima Ramos, Rosalina Rosas Wandeley, Shakuntla
Nain, Maria José Pachu, o psiquiatra José Marcelo Pereira Moreira
e os alunos de iniciação científica Schubert Luigi Costa Rodrigues
e Danilo Cesar de Azevedo Dantas, com o apoio do engenheiro Ronaldo
Araújo Alves e do técnico Antonio Paulino Pereira Filho. O projeto
foi coordenado pelo professor Marcelo Sampaio de Alencar e resultou
na tese de mestrado do engenheiro Mohit Gheyi.
As
experiências para observar os efeitos biológicos da radiação não
ionizante foram feitas com um gerador de microondas montado no Labcom
operando na freqüência de 2,45 GHz (próxima da Banda C do celular)
e na potência limite para segurança de transeuntes, segundo os padrões
internacionais. Durante o período de um ano, correspondente a quatro
gerações de cobaias, verificou-se o consumo de água e ração, a reprodução,
o ciclo estral, a percentual de hemácias no sangue, alterações na
forma e tamanho de órgãos internos e mudanças comportamentais nas
cobaias submetidas à radiação. Um grupo de controle foi deixado
livre de radiação, para efeito comparativo.
Os
resultados apurados até o presente indicam uma elevação no consumo
de água de 7,6% e uma diminuição no consumo de ração de 3,2%, que
seriam esperados para as cobaias irradiadas. Inesperada foi a diminuição
no número de filhotes, verificada já na segunda geração de cobaias
irradiadas, da ordem de 23%. A análise de ciclo estral, por esfregaço
vaginal, não indicou alterações hormonais nas fêmeas. O exame de
hematócrito, usual para acompanhamento de anemias, também não apresentou
diferença significativa entre o grupo irradiado e o grupo de controle,
com pequeno aumento de taxas em favor do grupo irradiado.
Os
exames anatomo-patológicos, para observação de alterações no órgãos
internos ao microscópio, indicaram uma diminuição do número de corpos
lúteos nos ovários da fêmeas irradiadas e uma interrupção na maturação
das células germinativas dos machos irradiados. Esses efeitos são
importantes e podem estar relacionados com o decréscimo no índice
de fertilidade já mencionado. Por fim, os estudos comportamentais,
feitos com gaiolas de Skinner, indicaram que o grupo irradiado foi
mais lento nos procedimentos de aprendizado, em comparação com o
grupo de controle.
Como
projeto multidisciplinar, ele recebeu financiamento e apoio do Centro
de Ciências e Tecnologia, por meio de seu diretor, o professor Benedito
Guimarães Aguiar Neto, do Departamento de Engenharia Elétrica, por
intermédio da chefe, Professora Moema Soares de Castro, do Centro
de Ciências Biológicas e da Saúde, por meio de sua diretora, professora
Vilma Lúcia Fonseca Mendoza, do Chefe do Departamento de Ciências
Básicas da Saúde, professor Paulo de Freitas Monteiro e da Atecel,
por meio de seu presidente, o professor João Queiroz. O material
para realização dos exames histo-patológicos, no Laboratório de
Patologia do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), foi
adquirido com o apoio da Tele Nordeste Celular (TIM). O Centro Federal
de Educação Tecnológica, de João Pessoa, forneceu equipamentos para
os testes com o gerador de microondas. Sem dúvida, um bom exemplo
de cooperação entre diferentes áreas da academia e o setor empresarial.
*Marcelo
Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de
Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.
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