02-05-2000
Terceira Geração de Comunicações Móveis Celulares


Há muita discussão acerca do futuro das comunicações. Boa parte das previsões tem errado para baixo, ao longo dos anos, tendo em vista o mercado crescente que este segmento representa. A expectativa dos meios de comunicação em torno da terceira geração das comunicações móveis celulares é compreensível. Mas essa pressão tem gerado resultados pouco animadores para os usuários do serviço - pricipalmente em relação à definição de padrões pelos organismos reguladores.

Recentemente, em decisão da União Internacional de Telecomunicações (UIT) não foi das mais animadoras para os assinantes. A UIT aprovou nada menos que cinco padrões para interface aérea da terceira geração de comunicações móveis celulares (3G). A reunião da UIT em Helsinki, no final do ano passado, aprovou os seguintes sistemas: IMT-DS, IMT-MC, IMT-TC, IMT-SC e IMT-FT.

O prefixo IMT é a sigla para comunicações móveis internacionais. O sistema IMT-DS, no qual DS se refere a seqüência direta (um esquema de espalhamento espectral), é o novo nome para a interface aérea euro-japonesa W-CDMA UTRA FDD, que prevê acesso múltiplo por divisão em código em faixa larga e duplexação em freqüencia.

O sistema CDMA2000 americano, renomeado IMT-MC, utiliza o sistema de multi-portadora, também com acesso por divisão em código. As duas propostas TDMA, acesso por divisão temporal, são IMT-FT, que é o sistema europeu DECT, e IMT-SC, que era conhecido como UWC-136 EDGE, e provê uma evolução dos sistemas AMPS e GSM, usando uma portadora de 200 KHz.

O IMT-TC combina as propostas TD-SCDMA, que usa acesso com divisão em espaço e código, e UTRA TDD, que faz a duplexação em tempo. Este híbrido CDMA é projetado para alocação não simétrica de espectro, interessante para uso com a Internet, enquanto o IMT-FT pode ser usado tanto para alocação simétrica quanto assimétrica.

A previsão de início de serviço mundial para o sistema 3G é 2001. Apesar das propostas conflitantes, a UIT montou dois grupos de trabalho: 3GPP, para cuidar dos sistemas que evoluiram do padrão europeu, e 3GPP2, para aqueles que sairam do padrão americano. A idéia é concentrar o trabalho nas interfaces requeridas entre os sistemas - para tornar a operação mais transparente possível para o assinante. O usuário, penhoradamente, agradece.

*Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.

 

Coluna atualizada às segundas