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03-04-2001
Os primórdios dos Correios no Brasil
O
primeiro serviço regular de comunicações do
País foi o correio. De
fato, a carta de Pero Vaz de Caminha, escrita em 1500 e enviada
ao Rei de
Portugal, é considerada a certidão de nascimento do
Brasil. Mas o correio regular teria que esperar até 25 de
janeiro de 1663, quando o Alferes João
Cavalheiro Cardozo foi nomeado para o cargo de Correio do Rio de
Janeiro. A data marca a origem do Correio-mor no País e é
comemorada como o Dia do Carteiro.
Seguiram-se
as nomeações de diversos Correios-mores no País,
com Bartolomeu Fragoso Cabral assumindo o Correio da Capitania da
Bahia, em 1669, Duarte de Souza Coutinho da Matta, nomeado Oitavo
Correio-mor do Reino, em 1674,
Luiz Victório de Souza Coutinho da Matta herdando a posição
do pai, em 1696, e
Antônio Alves da Costa assumindo o cargo de Correio da Capitania
do Rio de Janeiro em 1710, para citar apenas os mais antigos.
A
primeira comunicação postal terrestre, entre São
Paulo e Rio de Janeiro, foi estabelecida em 1773. O ofício
de Correio-mor do Reino é extinto
e reincorporado à Coroa em 1797 e o primeiro Diretor dos
Correios é empossado, Luis Pinto de Souza. No ano seguinte,
se estabelece a ligação postal marítima regular
entre o Brasil e Portugal e é instituído o processo
de organização dos Correios Terrestres. A Administração
do Correio instala-se no Rio de Janeiro, no Paço Real.
Apenas
em 1799, após a criação do Regulamento Provisional
para o Novo Estabelecimento do Correio, se estabelece o cálculo
dos portes com base no peso da correspondência e na distância
percorrida para a entrega. Os serviços de
registrados e caixas postais são criados em 1801.
O
mensageiro Paulo Bregaro, considerado o primeiro carteiro e depois
aclamado patrono dos Carteiros no Brasil, é o responsável
pela entrega a D. Pedro I, no dia 7 de setembro de 1822, da correspondência
informando sobre as exigências de Portugal com relação
ao Brasil. Ao recebê-la, D. Pedro se recusa a aceitar as imposições
da Corte e declara a Independência do Brasil.
A
emissão de selos é autorizada por D. Pedro II, em
1842. No ano seguinte, são emitidos os primeiros selos postais
brasileiros, os famosos
Olhos-de-Boi, nos valores de 30, 60 e 90 réis.
Em
1852, por determinação de D. Pedro II, procede-se
a instalação do Telégrafo no Brasil. A primeira
ligação é realizada entre o Quartel-General
do Exército e a Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.
As telecomunicações, como são conhecidas hoje
em dia, começam digitais. As transmissões analógicas
só aparecem mais de duas décadas depois, com o financiamento
concedido por
D. Pedro II a Alexander Graham Bell. Mas essa é uma outra
história.
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Marcelo
Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de
Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.
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