03-10-2000
A telegrafia no começo do século

O telégrafo elétrico, introduzido em 1852, já se espalhava por 31.000
km de linhas em 1911, no governo Hermes da Fonseca. Mensagens provenientes da torre
Eiffel, em Paris, já haviam sido recebidas pela estação telegráfica de Fernando
de Noronha. A estação de Olinda estava recebendo mensagens de Port Etienne, na
Mauritânia. A estação do Cabo São Tomé, no Rio de Janeiro, seria a mais importante da América do Sul, abrangendo praticamente todo o território nacional e o Atlântico Sul. Os cabos submarinos da Western se estendiam do Brasil à
Europa e aos Estados Unidos. Um novo cabo havia sido proposto para a ligação com Assunção, no Paraguai.

Os telegramas eram despachados por cabo pneumático no município do Rio, assim como as cartas expressas. O movimento do ano anterior acusava 2 milhões e meio de despachos. O Departamento Postal havia organizado em 1910 uma caderneta de poupança, com depósitos de 100 reis a um conto de reis, para investimento em fundos públicos. Pagava 4% de juros nos depósitos. Atente-se para os valores da época: um carteiro ganhava entre 100 e 300 mil reis e um quilo de carne custava 400 a 800 reis.

O ano de 1913 encontrou o Brasil com uma rede telegráfica dividida em cinco classes:

1. O serviço nacional, ou Administração Geral dos Telégrafos, que pertencia ao Ministério das Comunicações e Obras Públicas, controlando mais de 32.000 kilometros de linhas e aproximadamente 700 servidores;

2. Os telégrafos da rede ferroviária, com 20.000 km de linhas e 1.500 escritórios em todo o País;

3. Os cabos submarinos da Western Telegraph Co., contando com 18.000 km de linhas e nove escritórios;

4. Os cabos sub-fluviais da Amazon Telegraph Co., distribuídos em 3.000 km de linhas e 17 escritórios.

5. O sistema do Rio Grande do Sul, utilizando-se de 1.600 km de linhas e 30 escritórios.

Nem todos os escritórios da rede ferroviária, entretanto, trabalhavam em consonância com a Administração Geral. Havia uma tarifa fixa, de 600 reis, para a emissão de telegramas além de uma taxa adicional que variava de acordo
com o Estado. Um telegrama para a França, Alemanha ou Holanda custava 3,63 francos. Um franco equivalia a 600 reis.

Havia seis estações de telegrafia sem fio, chamadas estações Marconi, no Rio de Janeiro, além de outras em Olinda, Bahia, Santos, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e na ilha de Fernando de Noronha. Com essa última, se pretendia a comunicação direta com a Europa. A Região Amazônica contava com estações em Santarém, Manaus, Porto Velho, Rio Branco, Sena Madureira, Santo Antônio, Pará e uma no território do Acre.

A telegrafia marítima, proposta anos antes por Landell de Moura, estava em pleno uso. Uma ligação com um navio alemão ou holandês custava pouco mais de 1 franco por palavra. Artur Bernardes havia sucedido a Epitácio Pessôa na Presidência, em 1922. Juscelino Kubitschek, dois anos antes, havia sido aprovado em concurso para telegrafista auxiliar de Belo Horizonte. Suou muito para aprender o alfabeto Morse e se tornar colega de José Maria Alkimim, seu futuro ministro e vice-presidente de Castelo Branco.

*Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.

 

 

Coluna atualizada às segundas

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