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04-07-2000
A
Televisão de Alta Definição

A televisão brasileira completa 50 anos e está prestes a sofrer
uma transformação radical, com a entrada da TV digital de alta definição.
Durante esse meio século de existência, poucas alterações no sistema
de transmissão foram feitas. Em 1950, foi ao ar a primeira emissora
de televisão da América Latina, a TV Tupi de São Paulo. O primeiro
telejornal surgiu no mesmo ano na Tupi, "Imagens do Dia". Os primeiros
televisores nacionais, da marca Invictus, começaramm a ser fabricados
no País em 1951. No mesmo ano, a TV Tupi instalou-se no Rio de Janeiro
e a primeira telenovela chega aos lares brasileiros: "Sua vida me
pertence" com Walter Foster e Vida Alves. Nesse ano, a Rádio Nacional
fazia enorme sucesso com a radionovela "O Direito de Nascer"
No
ano seguinte, foi fundada a TV Paulista, Canal 5. Em 1953, foram
inauguradas a TV Record, em São Paulo, e a TV Rio, Canal 13. Começa
a transmissão do "Repórter Esso", pela TV Tupi. Dois anos depois,
é realizada a primeira transmissão direta, pela TV Record: um jogo
entre Santos e Palmeiras, na Vila Belmiro. Em 56, a televisão atingia
mais de 1 milhão de telespectadores em todo o País. Em 1960 ,era
introduzido o "vídeo tape" na televisão brasileira, antecipando
a decadência das geradoras locais e o fortalecimento das grandes
emissoras.
Um
dado curioso em relação à televisão foi a promulgação do decreto
de 1961, que fixava em três minutos o intervalo comercial - não
consta que tenha sido respeitado ou revogado. No ano seguinte, Jânio
Quadros publica um decreto obrigando a dublagem de todos os filmes
transmitidos pela TV.
O primeiro programa a cobrir o País inteiro, simultaneamente, foi
uma missa rezada pelo padre Peyton em 1964. Célebre orador católico
norte-americano, esse padre veio ao Brasil acompanhado de um agente
da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos. Na
realidade, foi uma operação, montada tecnicamente em Washington,
para desestabilizar o governo de João Goulart. Após o assassinato
de John F. Kennedy, a linha dura americana estava de novo no poder
e João Goulart era um obstáculo à política hegemônica de Washington.
A televisão brasileira fez sua primeira transmissão colorida em
1972, por meio da TV Difusora de Porto Alegre. A Festa da Uva, de
Caxias do Sul, foi a primeira transmissão pública de TV em cores.
Blota Júnior foi o mestre de cerimônias do evento. O padrão escolhido
foi o PAL-M, um aperfeiçoamento do padrão americano NTSC (National
Televison System Committee), que permitia a estabilização das cores
por meio de inversão da fase da portadora de crominância a cada
linha. Hoje há críticas quanto à adoção o PAL-M no Brasil. No entanto,
o padrão americano de TV aberta era tão instável, para os equipamentos
da época, que tinha o apelido de Never The Same Color. Isso, provavelmente,
estimulou o desenvolvimento da transmissão a cabo naquele país.
A televisão de alta definição, conhecida como HDTV (High Definition
Television), já está funcionando nos Estados Unidos, com pequena
adesão do público até o momento, na Europa, com um sistema intermediário
que permite uma sobrevida ao televisor antigo, e no Japão, primeiro
país a colocar um satélite no espaço dedicado a esse tipo de transmissão.
Ela deve chegar ao Brasil até o final do ano, assim que a Anatel
aprove o padrão a ser usado.
Como parece ser a tônica quando se trata de televisão, os padrões
adotados são incompatíveis. Os Estados Unidos adotaram o padrão
ATSC (Advanced Television System Committee), os europeus criaram
o DVB (Digital Video Broadcasting) e o Japão criou o ISDB (Integrated
Services Digital Broadcasting). Os objetivos comuns aos diversos
sistemas são: manter as mesmas faixas de freqüência hoje utilizadas
(6 MHz no Brasil), aumentar as resoluções espaciais vertical e horizontal,
melhorar a representação de cores, apresentar uma razão de aspecto
de 16x9 (para aproximar o formato da tela de cinema), som multicanal
de alta fidelidade e transmissão de dados.
A Universidade Makenzie está gerenciando alguns testes dos sistemas
de televisão e o CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Padre
Roberto Landell de Moura) ficou encarregado de validá-los. Além
disso, participam do experimento a Associação Brasileira dos Engenheiros
de Rádio e Televisão (Abert, a Sociedade de Engenharia de Televisão
(SET) e a Universidade de Campinas (Unicamp). Em todo caso, vai
levar algum tempo até que o brasileiro comum possa adquirir um aparelho
HDTV, por conta do custo elevado. Foram 22 anos de espera pelas
imagens coloridas e mais 28 anos para ter, finalmente, a televisão
digital.
*Marcelo
Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de
Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.
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