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05-09-2000
Os
amadores do rádio tornam-se profissionais
Na
década de 10, nascia o radioamadorismo, que tomou grande
impulso
em função da dimensão continental do País.
A radiodifusão também surge na mesma década,
fruto do pioneirismo de Augusto Joaquim Pereira e Oscar Moreira
Pinto. Augusto Pereira funda, com um grupo de amadores, o Rádio
Clube de
Pernambuco no dia 6 de abril de 1919. A primeira emissora do País
e uma das primeiras instituições radiofônicas
de todo o mundo.
No dia 2 de novembro de 1920, a Westinghouse Electric Co. faz uma
experiência com a transmissão de rádio no País.
A experiência seria renovada em 1922, no Rio de Janeiro. Oscar
Moreira Pinto, radiotelegrafista da Marinha,
junta-se à Rádio Clube de Pernambuco em 1922, sendo
encarregado de adquirir um transmissor de 10 W da Westinghouse.
Esse transmissor permitiu que o sinal da emissora pudesse ser sintonizado
no centro e alguns subúrbios do Recife.
O Recife
contava, na época, com 250 mil habitantes e era o principal
centro
econômico, político e cultural do Norte e Nordeste.
Pernambuco tinha 2 milhões
de habitantes, um dos portos mais movimentados do País e
era governado por Manoel Borba.
No Rio de Janeiro, em 1923, foi então fundada a Rádio
Roquette Pinto, já num estilo mais profissional. Funcionando
na Academia Brasileira de Letras, ela se converteria mais tarde
na Rádio Ministério da Educação. Roquette
Pinto
foi um pioneiro do cinema e da televisão, concebendo-os como
instrumento de
educação popular. Junto com Henrique Morize, professor
da Escola Politécnica, ele deu os primeiros passos na utilização
do rádio como veículo educativo. Nas próprias
palavras de Roquette Pinto:
"Todos os lares espalhados pelo imenso território do
Brasil receberão livremente o conforto moral da ciência
e da arte; a paz será realidade
definitiva entre as nações. Tudo isso há de
ser o milagre das ondas misteriosas que transportam no espaço,
silenciosamente, as harmonias."
A
Rádio Jornal do Commércio, no Recife, e a Rádio
Clube Paranaense, em Curitiba, surgem em 1924. A Rádio Nacional
foi inaugurada em 1936, no Rio de Janeiro. A Hora do Brasil passa
a ser irradiada para todo o País em 1938. Dois
anos depois, em 1940, o Estado Novo encamparia a Rádio Nacional.
O Departamento
de Imprensa e Propaganda (DIP) havia sido criado no ano anterior,
com um orçamento de US$ 300 milhões, encarregado da
censura aos meios de comunicação.
Lourival
Fontes foi indicado para chefiá-lo. O rádio se transforma
num meio eficaz de promover o patriotismo. Getúlio Vargas
utiliza o poder de comunicação do rádio para
fazer discursos imensos, ao mesmo tempo em que proíbe a
União Nacional dos Estudantes e Oswald de Andrade de serem
veiculados pela imprensa.
A programação de todas as estações é
supervisionada pelo Departamento o
de Imprensa e Propaganda. Entretanto, em pequenas comunidades, o
uso do alto-falante na praça pública ainda é
comum como veículo noticioso. Em 1941, a Rádio Nacional
lança a primeira radionovela brasileira: Em Busca da Felicidade,
do cubano Leandro Blanco e patrocinada pelo creme dental Colgate.
Na Rádio
Nacional (RJ) e na Record (SP) começa a ser irradiado o Repórter
Esso.
Carmem
Miranda é a garota propaganda da General Electric, para convencer
os brasileiros a adquirirem o rádio G.E. Tom Natural. A Philco
International Corporation importa o seu Rádio-Fonógrafo
de sua matriz em Nova Iorque. Enquanto isso, a guerra transcorre
na Europa, e as grandes corporações norte-americanas
e alemãs acertam, em segredo, seus acordos internacionais
para o pós-Guerra. Acordos que, como convém a esse
ramo de atividade, não reconhecem ideologias ou fronteiras.
*Marcelo
Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de
Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.
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