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05-12-2000
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a nascer em 3 de agosto de 1961, quando o Presidente da República, Jânio Quadros, assinou um decreto criando o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE), subordinado ao Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq).

As atividades da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CNAE) incluíam coordenação, estímulo e apoio aos trabalhos e estudos relacionados ao
espaço, a formação de um núcleo de pesquisadores capacitados para desenvolverem projetos de pesquisas espaciais e o estabelecimento da cooperação com nações mais adiantadas.

O programa de pesquisas executado nos laboratórios da CNAE, instalada em São José dos Campos, onde hoje se encontra a sede principal do Inpe, estava ligado a estudos no campo das ciências espaciais e atmosféricas. Esses estudos incluíam sondagens na alta atmosfera realizadas por meio de ionossondas instaladas no solo e, principalmente, por meio de cargas úteis científicas levadas a bordo de foguetes lançados a partir da base da Barreira do Inferno, em Natal.

No dia 22 de abril de 1971, a Comissão foi extinta e foi criado, oficialmente, o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), subordinado diretamente ao CNPq. O decreto de criação do Inpe definia o Instituto como o principal órgão de execução civil para o desenvolvimento das pesquisas espaciais, sob a orientação da Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (COBAE), órgão de assessoramento da Presidência da República.

No início de 1970, a Fairchild Industries, utilizando o ex-diretor da NASA, o conhecido cientista alemão Werner von Braun, instituiu um sistema de comunicações por satélite com a Agência Espacial Brasileira. O projeto estava sob os auspícios do Inpe.

A utilização de satélites meteorológicos, de comunicação e de observação da Terra, tornou-se uma atividade importante, principalmente para a previsão climática e monitoração do território nacional. Com isso, foram implantados os projetos MESA, para recepção e interpretação de imagens de satélites meteorológicos, SERE, para utilização das técnicas de sensoriamento remoto por satélites e aeronaves para levantamento de recursos terrestres, e SACI, para aplicação de um satélite de comunicações geoestacionário para ampliar o sistema educacional do País.

No final da década de 70, o Inpe ingressou em nova fase de sua história, com a aprovação pelo Governo Federal da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), que acrescentou à vocação inicial do Instituto o desenvolvimento da tecnologia espacial. O Inpe foi incorporado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em 1985. Durante a década de 80, o Inpe desenvolveu programas importantes, como o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), o Programa Amazônia (AMZ) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). Implantou, também, o seu Laboratório de Integração e Testes (LIT).

A década de 90 traz os primeiros resultados da MECB. Em 1993, é colocado em órbita o primeiro satélite brasileiro, o SCD-1. Em 1998, o SCD-2 é também lançado com sucesso. O CBERS-1, em parceria com a China, e o SACI-1, Satélite
Científico, serão os próximos a serem lançados, o que deverá ocorrer ainda este ano.

O Inpe deve lançar, até 2007, seis satélites que serão desenvolvidos em parceria com países como China, Argentina, Espanha, Alemanha e França. O projeto mais adiantado é o do segundo CBERS, que tem lançamento previsto para outubro de 2001. Os investimentos nos novos satélites somam cerca de US$ 216 milhões, dos quais US$ 100 milhões foram aplicados nos dois CBERS.

O satélite integra o projeto da plataforma multimissão, que também prevê o desenvolvimento do SSR-2 e do terceiro satélite brasileiro de coleta de dados (SCD-3), avaliados em mais US$ 30 milhões. O primeiro está em órbita há nove anos e o segundo foi lançado em outubro de 1998. O SSR-1 terá como objetivo a cobertura da Amazônia, do Nordeste e do Atlântico Tropical, com imagens transmitidas a cada 100 minutos. O CBERS-1, lançado em outubro de 1999, também fornece imagens dessa região, mas a intervalos de 26 dias.

A construção da primeira plataforma multimissão, que será usada no SSR-1, tem um custo estimado de US$ 20 milhões. Com a carga útil, no caso a câmera de observação, esse valor será acrescido de mais US$ 10 milhões. Finalmente, Inpe participa da construção da Estação Espacial Internacional, o maior empreendimento do mundo no setor, reunindo 16 países.

* Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.

 

Coluna atualizada às terças